Animalescamente #2

Tratamento Ludovico

Não sei exatamente onde é o limite da falta de educação das pessoas. O egoísmo impera, principalmente em camadas menos instruídas. Devemos avaliar os fatores limitantes: herança familiar, impunidade e caráter. Ainda que o carater esteja diretamente relacionado à primeira ao passo em que somos o que vemos nossos pais fazerem, acho válido separar em “o que os pais fazem que dá o mau exemplo” e “o que cada individuo tira do mundo a seu redor”. Mesmo poderia incluir como categoria o ambiente. Há um limite social que as pessoas não costumam avançar mesmo sem leis para isto, dependendo da classe social, estaes limites sao mais amplos. dependendo da cultura (o ambiente) esses limites sao mais ou menos abrangentes.

Aparentemente, as regras sao feitas para os otários enquanto os malandros fazem o que querem, na certeza que não serão punidos nem sofrer pressão social. A questão da educação não torna os erros menos impunes, mas abrangem algo da inibição.

Às vezes me pergunto quanto falta para cuspirem na minha cara, jogarem lixo na minha mochila e não fumarem nos transportes. Afinal, ninguém vai reagir, ninguém pode fazer nada contra. Deve ter um fator de expectativa de pressão social maior para estes casos que para as besteiras de todos os dias, mas há muitas atitudes que me irritam e que passam batidas no dia-a-dia. (Neste exato momento, começa uma música alta numa casa das redondezas. É música crente. Mais uma vez, hipócritas que sequer pensam no próximo, egoístas, medíocres. E já começa um segundo som para concorrer. E assim, vamos nos dirigindo ao nível das favelas, com 3 ou 4 músicas altas por viela a qualquer hora do dia) Talvez haja medo, mesmo da parte que nos expõe ao medo de reagir. Talvez exista alguém que reaja e cale a boca desses desgraçados e é isso que ele teme, controlando as atitudes extremas. Ainda não cospem na cara dos outros. Não fumam com tanta freqüência nos transportes…

Encontrei um link explicando como o “mito do bom selvagem” é isso mesmo, um mito, uma bobagem, e que, pelo contrário, o selvagem é mais agressivo e é disso que estamos rodeados. Selvagens que se afiliam a alguma religião, fazendo uma troca justa, o dinheiro e a alienação por um alívio de consciência. É o alívio pela vela pro diabo que foi acesa ontem, com orgias, desgraças e violência, que agora, é compensada por uma música alta, incomodando os vizinhos, mas suficientemente alta para que Jesus Cristo ouça e perdoe seus pecados. E catequize outros fiéis, um exemplo a ser seguido, Jesus estaria orgulhoso.

Talvez eu tenha que procurar o Tratamento Ludovico, para controlar minha fúria diante dessas atitudes e me tornar mais um passivo deste mundo de merda ou, quem sabe, até ter meu comportamento moldado para me adaptar e curtir aquela farofa, aquele pagodão, a face da depressão. É uma guerra que não se pode ganhar. Não posso reagir, apenas fico tremendo de ódio diante da hipocrisia, do cinismo, do deboche… É um jogo feito pra perder.

Animalescamente #1

“Pessoas são tratadas como animais no metrô”, frase proferida por um professor, em entrevista. Concordo que os serviços sejam muito ruins, mas será que o pessoal por aí não anda se colocando no papel de animal? Pois estão provando para mim que sim. Incapazes de terem um convívio agradável, coisa que qualquer bom adestrador consegue com a maioria das espécies, pelas minhas observações, são espécies com audição muito limitada, necessitando de execução altíssima de aparelhos de som e televisões e, principalmente, na fala proferida de forma descontrolada, denunciando, claramente, este problema auditivo, e extremamente egoístas, visando o interesse próprio imediato, sem nenhum cuidado com a possibilidade do incômodo geral ou de colocar o próximo em perigo. Geralmente, há mais tendências a esse comportamento em meios esportivos e sexuais.

A convivência têm se tornado cada vez mais insuportável. Não concordo que minha tolerância esteja diminuindo, mas as demonstrações de animalidade estão de espalhando como uma praga. E eles riem de mim quando eu acredito que posso pedir para ser respeitado. Não existe mais relaxamento, o único lugar que consigo ficar sossegado é no trabalho,até em casa, a presença de vizinhos novos com muita empolgação tem acabado com a graciosidade do lar.

Hoje, estava esperando o ônibus, eis que ele abre a porta bem longe do ponto e todos vão lá, obedientes, pegar o ônibus longe do ponto. Eu não fui. E esperei pacientemente pelo ônibus passar no ponto, com meu joelho doendo, ao lado de mendigos praticamente copulando em público. O motorista não parou, já que fui o único otário. Dei uma porrada na lateral do ônibus e ele parou. Andei lentamente até a entrada, que, agora, se encontrava longe para a frente. Todos me olham dentro do ônibus. É o palhaço, o maníaco. Não há lugares, joelho agüenta.

bandalha na passarela

Isto é uma Passarela, com um filha da puta

Descendo a passarela de pedestres, um rapaz de bicicleta queria descer montado, mas eu estava no caminho. Depois de ele assobiar, resmungar, mostrar o pneu da bicicleta e falar “ô amigo!” (note que não foi “dalicença” nem uma vezinha), deixei-o passar (pena que não estava de fone, daria mais verossimilhança e agüentaria mais tempo “fudendo” a vida desse otário) e comentei “achei que não pudesse isso”. A observação para ele nem ter pedido passagem de forma educada – e mesmo que pedisse, ainda estaria errado , a passarela é para de descer desmontado, principalmente pela quantidade de pedestres que passava no horário , 18 horas – é válida, já que, na cabeça dele, é obrigação todos saírem da sua frente para que seu trajeto fique 5 a 10 minutos mais rápido. Meu ego queria dizer, “Se quiser, passa por cima” ou “A educação ficou em casa”, mas de que adianta, essas “pessoas” não têm solução, querer falar alguma coisa só rende piadas. O otário que segue as regras, que sente pressão social, que tem medo de apanhar.

Com esses tipos, não há como brigar. Veja um animal, você não sai na unha com um leão, precisa de uma arma. Eu não tenho porte físico para brigar com ninguém. Então como sobreviver nesta selva? Não existe argumentação, não existe favor. Não existe pensar no próximo. O que piora quando o indivíduo é hipócrita e segue uma religião, nem mesmo cumpre com o que seria a parte boa desta ilusão, ter alguma moral, ser solidário, não mexe seu traseiro animal para isto, apenas quer ter a consciência limpa para continuar estragando o dia dos outros em prol do seu bem estar . O que fazem se limita a  passar a suposta mensagem da salvação para outro, outra forma de se aliviar, frente a sua mediocridade animal de todos os dias. Atropelando pedestres, avançando sinais. Colocando seu Nextel no maximo, e sua música de merda para que todos ouçam, calados.