Domingo no Pagodjenho

Segunda a Sexta,  tradicional gospel/pipiprawl/etc da vida. Quando acho que finalmente vo poder relaxar meus ouvidos e largar o fone pra ser o cego que não quer ver, ou melhor, o surdo que não quer ouvir, vem o tradicional pagodinho que reúne a turma toda no condomínio aqui do lado. A manhã e tarde toda de domingo na concentração para o futebol, que é acompanhado no volume máximo, que pode ser ouvido perfeitamente aqui de casa. Bom, pelo menos depois do futebol, o barulho se dispersa (do segundo futebol, pois o infeliz tem o pay-per-view e vê dois jogos, o da TV aberta e o local, de 6 horas). Mas eu, que não tinha nenhum problema quanto a futebol, até gostava, apesar de não acompanhar faz um tempo já, estou desenvolvendo desprezo. Fora a motinha que eeeela está de vooolta, e fica fazendo barulho na minha zorelha também. O tempo todo. E pensar que às 7 e meia da manhã, numa praça aqui perto, consigo relaxar um pouco, ouvir pássaros e o rio passando, som quebrado somente por um clg que foi comprar jornal (sim, eu vi ele voltando com um jornal, então pude deduzir) a bordo de sua bicicleta “elétrica”, provavelmente algum motor a combustão bem barulhento, do tipo, motor de máquina de caldo de cana, que consegue ser mais poluente, sonora e, que m sabe, quimicamente, do que uma moto normal. E claro, sem placa, sem IPVA e muito menos proteção.

Ouvi, recentemente, na TV que a principal causa de confusões e intervenções policiais são oriundas de barulhos na madrugada. Talvez eu não esteja sozinho nessa reclamação e, com a pacificação, os moradores se sentiram mais à vontade para reclamar alguma dignidade. Entretanto, apesar do suposto desaparecimento de tráfico e armas (ainda que estejam presentes, mas na encolha, creio eu), ainda existem problemas, ainda não há liberdade. É a ditadura do barulho aprisionando as pessoas que precisam dormir. E aí não falo de ver nos jornais ou TV, já passei no Rio das Pedras de madrugada com muitas fontes de música alta, o que se mostra extremamente desagradável para alguém que precisa acordar cedo no dia seguinte. Essas coisas acabam passando como problemas menores, que um dia talvez sejam solucionados, ou seja, não serão. Porém, não creio que seja um problema menor, o som alto pode tornar alguma parcela agressiva, realimentar mais um sistema de reações levemente violentas ao “sistema”. Também já presenciei, na favela da Nova Esperança, às 6 da manhã, música crente alta. É uma imposição, é o hino, é a hipnose coletiva. A liberdade está ameaçada, não por uma minoria oportunista, mas, dessa vez, por quem falar mais alto.

Ao (meu) som de Megadeth (Symphony of Destruction), Metallica (Blackended) e Coldplay (Lovers in Japan)

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Uma resposta para “Domingo no Pagodjenho

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