Dos otimistas e Pessimistas

Uma idéia (que já tinha) me foi exposta por um mestre um dia desses. A grande diferença entre um otimista e o pessimista é a seguinte: depois de 3 aviões caírem na mesma semana, o pessimista pensa “deve estar acontecendo algo, o próximo será o meu”. Já o otimista pensa: “a probabilidade de um avião cair é pequena, e já caíram três… O meu não terá a menor possibilidade”. Pensei numa adaptação para as viagens de avião no dia 11 de Setembro. “Esse é um dia tão manjado e deve estar com tanta proteção que…” ou “Este é um dia tão manjado e simbólico que…”. Mas não é exatamente sobre isso que queria dizer.Outro caso clássico é aquele famoso “graças a Deus que tudo está bem”. Uma pessoa acaba de quebrar a perna mas “graças a Deus” não vai ter que amputar. Ideal seria se nenhum acidente tivesse acontecido com a graça do senhor. Mais uma vez o ponto de vista atuando. Eu, particularmente, pensaria “Deus existe e está me sacaneando, que porcaria de vida, quebrei minha perna”, a menos que eu tivesse levemente alcoolizado (não, eu não quebrei a perna). Mas também não era sobre isso que queria explanar. Queria juntar essas idéias para mostrar meu sentimento atual. Estive perto de uma grande conquista, só me faltou atitude. Coisa de quem é matemático demais para acreditar em sinais subjetivos, sem o poder do evento certo. Não, nunca é certo. E nunca vou ter a certeza. Isso que me incomoda mais, fora o fato de poder ser recusado e eu odeio ser recusado. Me destrói. E essa idéia, como toda boa idéia, se apossou da minha mente como um bom parasita (parafraseando aqui, ao mesmo tempo o bom filme Inception e o bom livro Memórias Póstumas de Brás Cubas). Idéias levaram a Mal ao suicídio. Idéias levaram Hitler ao poder. Idéias levaram Brás Cubas à falência. Mas também fizeram coisas boas. Não creio que seja meu caso. Minhas idéias fixas, com freqüência fruto da falta de oportunidades que fazem de qualquer bobagem um evento que agita minha mente, costumam me deprimir. Por outro lado, já tive um pensamento sobre isso: antes idéias fixas frustrantes que pensar na morte. De fato, faz uns dias que penso mais na minha decepção comigo mesmo que na morte. Tá, digamos que eu penso na morte, mas não no dia que terei que encará-la, mais nela como se fosse um buraco bem fundo no qual eu gostaria de me enterrar de vez em quando, desde que esse buraco tivesse volta. A morte não tem e, como dito no Nerdcast do Avatar, não é uma saída legal. Sinto-me como se tivesse ganhado uma mala com um milhão e, no mesmo dia, me fosse retirada essa mala. Analisando friamente, não ganhei nem perdi nada, mas psicologicamente falando, é uma perda muito frustrante e desesperadora. E então vêm as idéias. A esperança idiota que eu tenho plena consciência que é traíra. Como um alcoólatra que tem certeza que, após beber, estará na sarjeta. Me resta a esperança que um raio caia novamente no mesmo lugar, que um avião possa cair outra vez no 11 de Setembro. Mas eu sei que não vai. Neste caso, ao contrário do exemplo anterior, a visão pessimista se torna a otimista e vice-versa, e eu assumo minha posição de sempre de que deus dá, sim, oportunidades. Só para eu disperdiçá-las e ser jogado na cara que eu não aproveito. Bem, esta é talvez a quarta ou quinta vez, talvez apenas quarta, num retrospecto bem superficial. E as outras três vezes me dizem que o raio não vai cair novamente, pelo contrário, a chuva toda vai para o lado totalmente oposto. Então, sigo eu, caminhando, porque, sim, eu ainda tenho esperanças, mas a esperança de que a próxima vez eu agirei corretamente. Fico ocupando minha mente recriando as situações, o que deveria ter feito. E, apesar do meu pessimismo bater na cara dizendo que não será diferente, que eu vou perder todas as oportunidades, eu tento achar uma saída, aparentemente não existe. Com um pouco da esperança traíra que o raio cairá novamente. E da outra esperança otária que a mala com um milhão voltará. E da esperança sem nenhum motivo para se ter de que eu vou conseguir resolver meus problemas. Mas sigo desanimado e ao mesmo tempo crendo que após o desânimo pode vir algo para compensar.

7/9/2010

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