Dia de Frescão

Depois de roubarem meu biscoito e minha fluoxetina, tive a idéia (logo vi que sensata) de torrar 10 reais e voltar de frescão pra casa.  Além da paz proporcionada pelo frescão, pelo conforto de não ter que mudar de ônibus e pela menor quantidade de gente parando o ônibus, era, afinal, um ar condicionado de verdade. E uma vezinha só no mês, que mal faria. Levei 2 horas e meia pra chegar aqui e acho que se tivesse ido de quentão, além de perder o prazo da bilhetada única, ia surtar em algum ponto entre São Conrado e a Barra e teria me matado ali mesmo. No frescão, não tinha noção do quão quente estava lá fora, só tive quando desci, sete da noite aqui no meu bairro, e senti a calçada quente no meu pé (de tênis!). Claro que não fiquei o dia todo nesse frescão (apesar de ter parecido, principalmente na abençoada Bartolomeu Morte), e sim, senti calor pra caralho na ida e no centro da cidade. Já estou cogitando voltar do bucomaxilo pela Cidaduni, pelo menos vou pegar um caminho que eu me fodo, mas já estou calejado (e, sim, é bem mais agradável o trânsito da Linha Amarela do que o anda não anda da zona sul).

Algumas coisas me chamaram a atenção no frescão, um deles foi o fato de ter gente em pé. Fiquei pensando, até São Conrado, como o motorista saberia se tem lugar ou não, porque, sim, apesar de ter menos sobe-desce (principalmente, menos desce (mas houve um desce relevante, uma mulher bem gata em São Conrado)), ainda subiu bastante gente e estava ansioso pelo momento em que ele ia passar “direto”. Mas, em São Conrado, começou a ficar gente em pé… Daí, a primeira coisa que eu pensei foi “Que absurdo, a Redentor nem tem um sistema para evitar constrangimentos”, depois foi “Otários, pagando 10 reais e aceitam ficar em pé”. E, então, tive um raciocínio racional, e percebi o desespero das pessoas.

Àquela hora, em São Conrado, os ônibus convencionais e mesmo os de ar condicionado, em direção à Barra, passam lotados. Com o calor, mesmo os de ar condicionado não deviam estar dando vazão, mas, ainda que dessem, ia ser numa situação de ir em pé amassado, possivelmente com “nem”. E sem bilhete único. Os “quentões” teriam bilhete único (ou não…). E, chegando na Barra, para ir para o Rio das Pedras, teria que enfrentar a mesma situação de ônibus lotados/com fila infinita ou ir atééeé´o Barra Shopping e pegar mais trânsito do capeta. Então, possivelmente, o frescão, ainda que em pé, é a opção para se deslocar nestas condições. E, perceba que, mesmo a opção de “luxo” que é o frescão é escassa, apesar da demanda (pessoas em pé, possivelmente tem demanda para dois ônibus no mesmo intervalo de tempo), e ele só passa de meia em meia hora no horário de hush. Ou seja, até para se dar ao luxo, você corre o risco de esperar/ficar em pé.

Aotra coisa coquero lhes dizer é que, ao contrário do Frescão da Grajaú-Jacarepaguá, freqüentado basicamente por engravatados e moças maquiadas, a gente que pagou 10 reais parecia a mesmíssima gente que pega os “quentões” (tirando, talvez, pela falta de funk no viva voz), mas, especificamente com relação à vestimenta.  Me parecia que são os mesmos trabalhadores, talvez fosse por conta do calor que eles pegaram esse (na mesma filosofia que eu do “uma vezinha só) ou é aquela turma que tira onda sem poder… E um fato que me leva a crer nisso é que o frescão, inacreditavelmente, ENTRA no Rio das Pedras e muita gente desce lá. Se ele entra, é porque tem sempre demanda. Eu vi um tipo particular que tira onda sem poder, o cara tava lá de camisa regata, mostrando no tablet suas fotos na praia pra uma mulher ao lado.

Já estou aqui planejando outras maneiras de voltar de Botafogo nesses horários ingratos. Voltar pelo centro do RJ não adianta, pois acabaria pegando ônibus lotado também (apesar de que poderia tentar no ponto final) e, principalmente, engarrafamentos (Francisco Bicalho, Praça da Bandeira, Rua da Carioca, etc). E pensar que a Linha 4 do metrô – que vai ajudar, mas não totalmente, a minha volta da Zona Sul – só fica pronta no começo de 2016… Esse transporte de massa deveria ir até o Rio das Pedras, permitem a densidade populacional absurda e não oferecem infraestrutura. E, possivelmente, na Freguesia também, que já está num nível Zona Sul/Tijuca de ocupação de prédios, sem qualquer contrapartida de mobilidade, tanto que hoje, tirando os condomínios “5 estrelas”, os mais valorizados são os prédios próximos de acessos à Linha Amarela: a única ferramenta de mobilidade – e, lamentavelmente, ainda rodoviária…

PS: Durante quase todo o trajeto, ficou um Jaguar do poder legislativo e um ônibus cor de vinho da Reitur (acho que era do condomínio Mediterrâneo). Esse problema do trânsito afetando diretamente cidadães do poder público, será que não serve de alerta?

PPS: Olha que bizarro o único resultado para jaguar LUY1111 no Google: Entre os carros socorridos estava um Jaguar branco, zero quilômetro, placa LUY 1111. O carro estava boiando na Lagoa, nas imediações do Corte do Cantagalo.

PPPS: Conta – distância = 31 km, tempo = 2h 20
velocidade média aproximada = 13,8 km/h

Só para efeitos de comparação, eu fui a pé uma distância de 2,5 km em meia hora, velocidade = 5 km/h
De bicicleta, fiz 2 km em 10 minutos 12 km/h

Considerando que fui acompanhado por um mesmo automóvel de Botafogo à Barra, e que o frescão parou poucas vezes, de fato, teria sido melhor voltar de bicicleta. Pena que a bicicletinha do Itaú só ande pela Zona Sul e Centro…

Hoje tá tough

Depois de um acidente na Freguesia e outro na Linha Amarela, fazendo-me percorrer um caminho por dentro da favela da Vila do João, agora um temporal. Que horas chegarei em casa, será que ficarei dois dias sem jantar?

EDIT: Não há nada de ruim que não possa piorar. Peguei ônibus com dois nem, um ouvindo estática do rádio e a outra ocupando lugar de idoso com uma criança e vendo tv. Deu apito de nextel na minha orelha e tinha gente de escola pública. Tudo isso porque o satanás do saens peña não veio. Não que ele fosse 100% seguro RIZOS mas é isso aí. Bolsada de um lado e cara inquieto no outro na ida e, no segundo ônibus, passeio na favela. E na volta, chuva e lixo. Vamos todos lixovicar.

Já ia me esquecendo

Peço perdão e devo assumir o meu castigo. Reagi para o palhaço que estava chutando minha cadeira no ônibus (sempre o ônibus), não tinha como ficar quieto. Infelizmente, eu me joguei contra o banco antes de falar “se manca”, na verdade,  não falei se manca, falei “tá me chutando?” e depois “a perna aí…” Dei mole, fui reprovado hoje, no tratamento lixovico.

Análise sociossocial: Turma do Pagode – Lanchinho

Uh uh uh uh uh uh uh uh uh uh
>> Revela a indignação do negro com o preconceito na sociedade

Você sempre quis
Alguém que pudesse te fazer feliz
>> Trata-se de mais um pagode escrito por um homem utópico que as mulheres procuram em festas, que passe a imagem de que não são safados, mas no fundo são, e falam através da música, o que a mulher quer ouvir

E esse alguém sou eu
Precisa saber
>>Aqui, ele mostra que é alguém na vida, quer, apesar do preconceito, deve ser considerado pela sociedade

Pra te completar
Estar com você
Se ele não liga nem pra desejar
Uma boa noite ou saber como está
>>O retrato de todos os safados para quem a mulher que ouve essa música já deu e a esperança (inutil) de que ela vai arrumar alguém melhor. Mais uma vez, o cara que vai  pra um pagode desses não quer dar boa noite e chamar a mulherzinha pra passear de mãos dadas no dia seguinte, mas a mulher quer se iludir, então ela se identifica com a letra

Por isso me liga, querendo me ver
>> A mulher está traindo uma pessoa, que, possivelmente, a trai também, para ficar com um cara fora do relacionamento… E quer ter esperanças de que ele não seja cafajeste… Liga pra ver? Skype?
E eu paro tudo pra estar com você
Preciso te dizer
Quero você
>>A simplicidade dessas frases são suficientes para demonstrar o quão sentimental é o eu-lírico

Namora, mas adora um proibido
>> Chamou a mulher de piranha. E ela aplaude.
E eu que sou culpado e eu que sou bandido
>> Bandido????????
Prefere um romance escondido
Sai na madrugada pra dar lancinho comigo
>> A mulher, que inicialmente queria um relacionamento sério, já está conformada, após ser iludida e “ficar apaixonada”, em ser só o lanchinho da madrugada.

>> A falta de preocupação do poeta com a métrica revela uma tendência da sociedade na época de cagar o cabelo que nem o Neymar

neymar limdo