Um carioca em SP

Tive uma rápida e satisfatória experiência em São Paulo, e, apesar do pouco tempo (ainda mais se tratando de domingo), pude observar algumas características interessantes.

Fui de carona até a Zona Sul e, assim que entramos na cidade, fui recebido por um caminhão de lixo saindo de uma rua transversal sem o menor cuidado, parecia o 422 daqui. Mais à frente, outro caminhão de lixo saiu de uma rua, pegou uma ré na contra mão por um pequeno trecho para entrar numa rua mais atrás. Minha primeira impressão de Sampa foi de caminhões de lixo alucinados.

Próximo ao trem, vi uma turma se aquecendo com fogo na calçada, cena típica de cracolândia aqui no Rio. A diferença é que, aqui no Rio, acontecem um pouco mais afastadas ou pelo menos as pessoas não passam por ali com essa naturalidade, ao contrário do que vi em Sampa. Passar por uma turma aparentemente barra pesada se aquecendo ao fogo lá parececia tão natural quando passar pelo tiroteio aqui no Rio (não que isso seja natural pra mim, mas me espanto quando passo por essa situação e parece que só eu estou tenso).

Tanto na chegada, quanto na volta para a Rodoviária, vi reflexos de acidente de carro com moto. pode ter sido uma coincidência e também efeito do horário de madrugada, mas achei meio dramático ver dois atendimentos de uma vez. Talvez seja efeito da falta da Lei Seca, que não tenho certeza se não tem campanha por lá, mas aqui no Rio, andar pelas ruas principais de madrugada e não ver blitz da Lei Seca seria bem estranho.

Não cheguei a ver as polêminas ciclovias da Paulista que o Haddad trouxe, mas vi algumas ciclovias pelo caminho, inclusive uma ao longo do Monotrilho que parece longe de estar pronto. O monotrilho parece ter sido vítima de um mimimi desnecessário, não achei que enfeiasse a cidade, pareceu interagir bem. Ainda sobre bicicletas, o lugar que mais me surpreendeu foi o Parque Ibirapuera, com uma quantidade enorme de ciclistas circulando e um local de aluguel barato  – 5 reais por hora, preço do Bike Rio, com a vantagem de poder pagar em dinheiro e sem possíveis aborrecimentos com a bicicleta presa ou com algum defeito, pois lá, é entregue em mãos, enquanto aqui, elas estão ao longo do caminho. Claro que encontrar bicicletas pelo caminho é uma enorme vantagem, a pena é que o vandalismo pode atrapalhar, mas acredito que o Itaú faça a manutenção razoável.

As pichações são bem megalomaníacas. Enquanto o Rio tem muitos rabiscos concentrados em certos pontos, lá, um só cara põe o nome do tamanho do muro inteiro em letras espaçadas, praticamente de forma. Inclusive, vi, de relance, um apelo de uma repartição para não pichar, tentei achar na vista de rua (Rua Doutor Djalma Pinheiro Franco), mas não consegui, talvez seja coisa recente.

Na volta, indo para a estação de metrô, o motorista do ônibus anuncia que vai mudar de caminho por conta de um Pancadão em uma das ruas que ele ia passar. Pra mim, indiferente, eu ia para o ponto final (Jabaquara), mas achei curioso isso afetar a mobilidade da cidade. Aqui no Rio, é comum o baile funk fechar ruas, mas dentro de favelas , nunca as ruas do bairro. Mais comum é bloco de carnaval ou escola de samba, mesmo fora do Carnaval. E a moda do funk lixo também está presente lá. Presenciei alguns carros com som nas alturas passando pela rua, lamentavelmente estamos com isso em comum. Porém, não vi moto na calçada, coisa que vem ficando cada vez mais comum aqui no Rio, com a turma do mototaxi, que faz o que quer.

As linhas de ônibus tem muitas letras e quem me guiou lá em SP não olhava pelo número, mas pelo destino. Aqui no Rio, é comum se guiar pelo número, e, se for se guiar pelo destino, pode parar em algum lugar no extremo oposto da cidade. Um exemplo são as linhas de Jacarepaguá, que, atualmente, tem números diferentes (antigamente não tinham, aumentando a confusão), mas que possuem como destino final um mesmo lugar, uma passando pela região da Tijuca e outra indo pela região de Bonsucesso. Se o sujeito pegar o Taquara achando que vai pro Maracanã, pode acabar parando em Manguinhos. Por isso, é fundamental se guiar pelo número. Aparentemente, lá, existe um pouco mais de disciplina com os intervalos, pelo que percebi das conversas ao meu redor. Aqui no Rio, só Deus sabe quando vai passar o próximo, no máximo dá pra saber no boca a boca o último ônibus da madrugada. Os ônibus de lá possuem adesivos com alguns locais chave por onde passa na lateral, isso deve ajudar bastante pra quem está acostumado. Enquanto o Rio se encaminha, lentamente, para a frota 100% refrigerada, lá, o ar condicionado é raro, mas o piso baixo é bem comum, apesar de subir ladeiras, uma das desculpas para não ter piso baixo no Rio. Cheguei a ver gambiarra de ônibus com motor na frente e piso baixo, com um degrau pra subir e descer logo do lado do motorista.

O metrô me impressionou positivamente. Acostumado ao metrô do Rio, fiquei admirado como ele pegou velocidade. Lembro da minha decepção com o trem aqui no Rio, quando peguei pela primeira vez, e andava um pouco abaixo da velocidade dos ônibus. O metrô tem aquela arrancada devagar e ainda tem os problemas operacionais da gambiarra da transferência da Linha 1 para a 2. Lá, porém, a linha azul foi bem rápida. Peguei o metrô às 10 da noite, estava funcionando (acho que funcionava até meia noite), foi bem vazio, até mesmo na famosa Estação da Sé. Não tive que pedir informação, consegui me achar no mapa na estação  (na verdade, foi fácil porque não precisava sair da linha), minha única dificuldade foi inserir o bilhete na catraca (quase depositei no lugar errado).

Por fim, minha última visão da cidade, já no ônibus para o Rio, foi um lava-jato ou algo assim com um aviso, em letras garrafais, ‘Este estabelecimento não usa água da Sabesp’, nunca saberei qual a treta por trás disso. Essa foi minha experiência real de um carioca dentro de SP. Quem quiser a experiência real de um estrangeiro no Rio, recomendo o Rio Real Blog.

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