Stress do Rio de Janeiro

Ontem, fiz sinal para um ônibus da linha 636, que parou distante. Achei que ia passar direto e bati na lateral do ônibus e o motorista se recusou a abrir a porta. Como estava engarrafado, andei até o ponto e fiz sinal novamente. Muito obrigado, motorista, por me educar a fazer sinal somente no ponto e andar quase 500 metros.

Neste sábado, motorista do 343 da ida fumando e o da volta ouvindo música crente. Ponto de ônibus da Candelária com duas placas da prefeitura:”BRS 5″ e e outra ao lado escrito “BRS5 não para mais aqui”. Entretanto, era lá mesmo que era o ponto.

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Meu direito termina quando começa o do funkeiro

Ontem fui abençoado com festinha tarde da noite com direito a caixas de som para pessoas bêbadas falarem no microfone. E, na outra ponta da casa, podia ouvir muitas motos entrando e saindo do condomínio tocando funk alto. É de se desconfiar o que tanto carregavam . Porque não basta ser traficante, tem que colocar música alta de madrugada e “tunar” a moto pro motor roncar à beça, acelerando totalmente sem necessidade numa rua residencial. E, no condomínio ao lado, também não existe a possibilidade de se divertir de forma discreta sem incomodar os outros. Tem que ser na base da bagunça. Isso é Rio de Janeiro.

Se o Rio não é bom com chuva, então não é bom mesmo

Hoje, tentei me desviar do caos e só caí em lugares ainda mais caóticos. Alagamentos no Rio das Pedras, Itanhangá e Curicica. Tomei um banho de um ônibus vermelho FDP da Pégaso passando pela pista central, pela mais rápida, não tinha sinal, pois faltara luz, a qual chegou exatamente quando adentrei no trabalho. Por incrível que pareça, acho que a melhor opção era realmente ir de bicicleta, o que me faz lembrar que tenho que  instalar um paralama, um bagageiro e uma antena antipipa. Por fim, o 368 virou na gabinal e eu já ia berrando, mas ele só foi deixar o coleguinha no meio do trevo. Fora isso, goteiras na Alvorada (já??), carro da 899A da Pégaso (a mesma que me deu o banho) totalmente alagado (aparentemente, o equipamento de  arcondicionado caiu e entornou toda a água no ônibus, não sei se isso foi conseqüência da chuva) e os vips de escola pública fazendo trilha sonora.

Linha alimentadora do BRT alagada

Linha alimentadora do BRT alagada

Bancos molhados no ônibus da Pégaso

Bancos molhados no ônibus da Pégaso

899 alimentadora BRT ar condicionado ruim

Ar condicionado quebrado na 899A

899A integração Transoeste

Água acumulada no sistema de ar condicionado da 899 Transoeste x Joatinga

Curicica alagada

Estrada dos Bandeirantes, altura da Mantecorp

Somos um Rio

Somos um Rio

PS: O carro do BRT esqueceu de falar umas estações e a Santa Mônica Jardins anunciou como Novo Leblon.

2013 está sendo…

2013, até agora, está mostrando ser o ano do “o que deveria dar errado, deu errado”.  Eu, que reparo como as coisas acabam “dando certo”, mesmo com toda a avacalhação, vejo que isso ajuda a abrir os olhos da população, que gosta muito de “deixar nas mãos de Deus”, enquanto não exige seus direitos nem cumpre seus deveres… Porque só deus mesmo pra ter tantos avanços de sinais e não ter mais acidentes de trânsito, motoqueiros passando pela calçada e não ter tantos atropelamentos, favelas construídas ao acaso (e mesmo condomínios) sem ter deslisamentos… Vamos aos três exemplos:

1 – Santa MariaKiss Santa Maria

Ambiente fechado, escuro e com música alta, tudo pra dar errado… E deu. Aí, fez-se uma polêmica sobre todas as boates do Brasil, sendo que a maioria é ilegal, as poucas que são legais, funcionam nas coxas e uma pequena minoria ínfima realmente leva a sério o cliente. Aí fizeram uma medida paliativa aqui no Rio, pra inglês ver mesmo, fecharam as principais boates (as mais famosas), daqui a pouco estarão abrindo de novo, com a mesma estrutura de sempre. Enquanto isso, boates pé de chinelo continuam atuando por aí, colocando seu som alto, trancando pessoas com cigarro em ambientes fechados e usando a calçada para todos os propósitos – estacionamento, mesas.

2 – Avalanche do Grêmio
Avalanche Grêmio AcidenteOutra estupidez que sempre teve tudo pra dar merda… E só deu agora. Em que planeta deixam tanto tempo uma porrada de gente se jogar contra uma grade… Isso porque desmoronou devagar, mas, mesmo que não desabasse, poderiam sair pessoas esmagadas… Bom, esse é um risco que se assume quando se vai pra qualquer evento de grandes aglomerações… E seria bem pior se o muro também tivesse caído, daí.

3 – 1 milhão e meio de pessoas do Bola Preta

Bola Preta deu merda

Fiz questão de frisar o site onde tirei isso, “diversão”

Um porrilhão de pessoas sendo empurradas em uma só direção, não sei como não deu merda até hoje. Ah merda dava, mas eram merdinhas, dessa vez foi uma merda federal, a pm perdeu algumas viaturas, teve gente passando mal e aquela lutinha de rua clássica. É como o caso do Grêmio, quem vai, já está se expondo só por ser uma multidão… Mas, nesse caso, é uma multidão absurda. Recheada com o espírito de porco – que só vem aumentando – do carioca…

E assim vai se encaminhando o mundo pós-apocalíptico, temos ainda a expectativa do Elevado do Joá realmente ruir e podemos nos lembrar do bondinho de Santa Teresa, que, por muito tempo, foi levado nas coxas até o limite em que realmente deu merda. E da obra do edifício Liberdade, que ensinou (ou não) que obras precisam ser supervisionadas, que pedreiro pode até dar um jeitinho até certo limite, mas obras estruturais não podem ser levadas na malandragem… Quantos acontecimentos vamos precisar pra ensinar ao brasileiro que o jeitinho é uma idiotice (o improviso é bom, mas em outras situações, não quando envolve vidas), vamos precisar de muitos choques em fios por roubo de cabos, uso de pipas ou fiação clandestina?

Pela interdição do elevado do Joá

Se é pra interditar o eleado do joá, interdita a cidade toda logo. Aí sim sou favorável. Casos de bala perdida na região próximo ao Lins merecem que as ruas do grande Méier e a Grajaú-Jacarepaguá sejam interditadas… Afinal, temos risco de morte também, ao passar por lá. Também a Avenida Automóvel Clube, com suas vigas expostas, deveria ser interditada. Aliás, a própria avenida brasil e sua buraqueira provocam alto risco. Fechemos a Brasil também. Vamos demolir e contruir vias decentes. Porque a operação asfalto liso já se mostrou uma piada.

A questão não é que eu seja contra a demolição do elevado do joá. Sim, eu passo lá e pode ser que um dia caia de lá. Mas, justamente por precisar dele, sei que não há alternativas viáveis. E, infelizmente ou felizmente, esta é uma cidade que não pára. Não podemos demolir a única ligação expressa Oeste-Sul. Assim como não podemos interditar a Brasil, nem fechar o túnel Rebouças… Infelizmente, essa questão requer medidas temporárias enquanto uma definitiva é pronta – criar uma via alternativa, não sei como (deixo pros engenheiros civis comentarem), paralela às pistas, o que liberaria a demolição e reconstrução, levando um bom tempo, de fato – ou então deixar o defeito de lado e fazer algo definitivo – poderíamos ficar sem a via se a linha 4 do metrô estivesse pronta e funcionando, indo muito além do Jardim Oceânico.

Porém, como a linha 4 só fica pronta pra lá de 2016, a única alternativa Barra-São Conrado continua sendo o elevado. Seja de carro ou de ônibus . De fato existe uma alternativa, a estrada do Joá, uma serra que liga a região da Barrinha e Itanhangá a São Conrado. Porém, além de ser serra íngrime, tem muitas cuvas e apenas uma pista pra cada sentido. Apenas uma linha de ônibus faz esse percurso, a 557. Agora, imaginem que o trânsito fosse desviado por essa via. Só quem conhece, sabe que é inviável: a Barrinha tem ruas estreitas, não dá conta nem do trânsito atual. E o grosso do trânsito não segue para Jacarepaguá, mas vai para a Barra e Recreio, ou seja, as pessoas precisariam fazer um contorno para pegar a Avenida Ministro Ivan Lins absurdo (quem já pegou as linhas de ônibus Alto da Boa Vista x Barra sabe que essa volta é um saco).

Então, levanto as questões: por onde as linhas de ônibus passariam e quais as alternativas restantes para o motorista (que, definitivamente, não vai pegar 465 lotado). Levando em conta que elas devem passar em São Conrado e na passarela da Barra, pra não prejudicar os passageiros, só restariam dois caminhos: a estrada do Joá, que, como já disse, é inviável, ou a Estrada da Pedra Bonita, subindo o Alto e descendo no Itanhangá, inviável pelo mesmo motivo. Naturalmente, ninguém de carro se atreveria a pasar por São Conrado, provavelmente indo pelo túnel Rebouças e Linha Amarela ou Grajaú-Jacarepaguá.  A amarela tem pedágio ambas já tem retenções em seu estado normal (com água caindo, pior ainda), na Grajaú teria o agravante de que o trânsito morreria na já engarrafada Freguesia.

Em conclusão, digo que o problema – e quem quer o ponha abaixo há de concordar – é a história de más administrações, é até um mérito deste governo atual (que critico diariamente) que tenha feito o estudo para avaliar a situação. Não sei ao certo se a motivação foi pressão da imprensa ou se realmente foi um mérito do Eduardo Paes. Às vezes, esse prefeito me parece sádico, apenas mostra o problema pra não resolver (Joá, proteção de monumentos devido ao carnaval, mas esse merece outro post) ou provoca um problema pra ver se até quanto as pessoas aceitam ser sacaneadas (aumento de passagens)…

História a parte, estamos com o problema agora… O que fazer? Poderiam adiantar a obra do metrô, criar alternativas pelo mar. Medidas têm que ser tomadas. Mas não podemos ser extremistas a ponto de querer interdição de algo assim importante. Como disse no começo, sou sinceramente favorável a interdição da cidade toda. A cidade fica em estado de quarentena. É nessas horas que falta um furacão ou um terremoto pra derrubar tudo de uma vez e colocar tudo de pé de novo. Só assim, porque, no país do jeitinho, vai-se levando nas coxas até onde não há mais solução.

Eleição da Palhaçada

Já puto porque sou obrigado a votar junto com um monte de ignorante que vai eleger o Eduardo Paes e a tradicional boca de urna, agora , me parar um carro a poucos metros do local de votação com funk alto e começar a dançar é palhaçada demais pra mim. Empurrei o babaca e chamei pra briga, sei que apanharia pelo número superior, mas foda-se. Chutei cavalete, gravei tudo. A mulher da minha frente não sabia que tinha que apertar o verde pra confirmar o voto. Pra confirmar o diabo do Eduardo Paes… Entrei com celular, ninguém falou nada, pretendia gravar meu voto, mas acho que seria indiscreto. E tava com certo receio.