Pluft vai às compras

2015-03-04 08.34.48Começo a desconfiar que o Mundial da Freguesia é mal assombrado. Vários carrinhos na fila sem ninguém. Os fantasmas também vão às compras.

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Por que ir na Bienal?

A Bienal do Livro no Riocentro foi especialmente lotada esse ano, mesmo com 11 dias de duração, provocando transtornos no trânsito, na bilheteria e no interior do evento. Os transtornos do trânsito são reflexo direto da política de  “decretar feriado” em grandes eventos que funcionam, mas não desenvolvem em nada a cidade. O que os simpatizantes dessa política não contavam é que eventos próprios da cidade, como a Bienal , podem também trazer grande movimentação de veículos, e é impossível decretar feriado para todo grande evento, ainda mais um evento de mais de uma semana de duração (vale lembrar que o BRT, principal (única?) ferramenta a ficar como legado ainda não chegará ao Riocentro (refiro-me ao Transcarioca)).

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SE01 Bienal x Alvorada

Mas não quero me focar na infraestrutura para receber grandes eventos. A lotação tem boa parte de colaboração da própria lotação da cidade, que cresce desordenadamente. De tudo um pouco está lotado na cidade, desde os transportes até o ingresso do Rock In Rio que esgota em 3 minutos. Muitos prédios subindo, muito trânsito e uma bolha prestes a estourar.

Na Bienal, mal se conseguia andar. Não era naquele estilo Cordão da Bola Preta, em que você vai sendo conduzido pela multidão, mas era no estilo em que pessoas ficavam tirando foto de tudo e havia filas gigantes para qualquer coisa (duvido que todas as pessoas soubessem pra que estavam na fila) e a locomoção se tornava impossível. Não dava pra entrar nos estandes pois já estavam lotados, havia correntes de pessoas que tornavam bem difícil você fazer qualquer movimento perpendicular ao fluxo, como o simples gesto de ir de um stand a outro. Mas tenho que parabenizar o marketing da Bienal que, apesar de ser longe pra muita gente, de não ter diferença de preço pra uma venda online, de ter fila para comprar ingresso e fazer pagamento dos livros, ainda assim, levar tanta gente. Por outro lado, o evento é lucrativo, senão, simplesmente, as empresas não iriam.

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O público presente era basicamente de jovens e, como fui sábado, estavam indo por conta própria, e não por excursões com a escola. O gramado estava repleto de jovens começando a ler o livro. Esse foi um dos poucos momentos em que identifiquei alguma vantagem de ir na bienal (não pra mim, mas para o público, em geral): a social do gramado. Talvez seja uma forma de conhecer novas pessoas, sem ter que torrar na praia ou perder a noite numa balada. Havia muitos casais, mais um motivo para pensar na busca pelo social: casais precisam de um motivo para sair (acho que isso vem das mulheres, os homens saem só com o objetivo de reproduzir mesmo) e a bienal se mostrou um bom motivo para poder sair e trocar salivas em público de forma vergonhosa.

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Acredito que a Bienal do Livro vá se tornar uma bienal tecnológica. como a Campus Party e faço votos que seja mesmo como a Campus Party, assim terei um evento tecnológico de grande porte perto de casa. Neste ano, vi poucos stands tecnológicos, mas eles estavam lá: Kindle, Google, Estante Virtual. Ok, tirando o Google, as outras duas são diretamente ligadas ao mercado do livro, mas, cada vez mais, o mercado da leitura vai se incorporar ao da tecnologia, de maneira que o comércio pela internet já prevalece [carece de fontes] , muitos dispositivos para leitura já se encontram no mercado, em especial os tablets. Além disso, o mercado da cultura pop, também bem presente na Campus Party, estava lá marcando presença e reforçando essa minha previsão.

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Uma motivação menos abrangente para ir à bienal são a presença de autores e os debates. A presença de autores traz a turma que quer um autógrafo e chegar perto e, se der, bater um papo com alguém que escreveu algo que lhe agradou. Já os debates são sujeitos a uma pequena lotação. Ambos os eventos, apesar de serem atrativos e trazerem gente que, a princípio não iria, não justificam o sucesso do evento. Há também muitos pais que levam os filhos para incentivar a leitura. Não sei se esse é um modo legal, levar a criança ao tumulto (em especial, os bebês, e como vi carrinhos de bebê lá) para ver livros ao acaso. As crianças se focam mais nas pessoas caracterizadas e nas imagens  do que nos livros em si.

Hoje, sou uma pessoa que lê acima da média da população, apesar de me considerar um leitor preguiçoso. Na verdade, com a faculdade e trabalho, minha leitura é mais da parte técnica, mas ainda leio alguns livros por ano (e tenho uma porção de livros a serem lidos já em casa, motivo pelo qual nem olho mais sebos, muito menos procuro por algo na Bienal). Mas sempre tive interesse pela leitura, e acredito que as influências a seguir foram fundamentais para fazer me interessar pela leitura que, por consequência, me torna um estudante e profissional mais capacitado por conseguir obter mais informações através da própria leitura. Eu lembro de ser pequeno e ter tido álbuns de figurinha. E esses álbuns sempre vinham com alguma pequena informação. Tá certo, é uma leitura mínima, mas, para uma criança, é um belo de um incentivo. E, graças a programas de TV (Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z e Pokemon), pedia à minha mãe para comprar algumas revistinhas que traziam informações sobre esses desenhos. Outra obra que creio ter me ajudado em minha formação foi o atlas. Lembro de estar sempre olhando as bandeiras e, a cada país, vinha uma pequena série de informações, como língua nativa, extensão territorial, entre outras. O atlas também trazia informações sobre astronomia, como movimentos da Terra, da Lua e do Sol, que, aliados à escola, me levavam a buscar mais conhecimento. Acho que sempre tive uma certa fixação por isso de países e em tempos de copas, lembro de ler alguns guias com as eliminatórias da Copa ao longo dos anos, em que conheci países que a maioria das pessoas nunca ouviu falar, como El Salvador. Então, se você quer incentivar seu filho a ler, recomendo comprar um bom atlas, guias esportivos (fórmula 1, indy, futebol) e mangás/gibis

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Chocolate Surpresa: você comia chocolate e ainda ganhava uma figurinha, e leitura!

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Revista Ultra Jovem e Dragon Ball Z

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Atlas do Jornal O Dia, que trazia informações sobre os países, sobre o planeta e sobre o universo (foi o meu Guia do Mochileiro das Galáxias)

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Em conclusão, a Bienal do Livro é um evento de público infanto-juvenil, basicamente de apelo para cultura pop, mas com grande potencial para o público de tecnologia (que atualmente, envolve quase todas as idades). Não vejo mais como um evento para comprar livros, mas um evento para reforçar a cultura pop, mas, se as pessoas enfrentam fila para comprar por lá mesmo, tanto melhor para as editoras. A meu ver, vai se tornar um evento para mostrar tecnologias e consumo pop (miniaturas, camisetas e cosplay). Não que os livros deixarão de ser vendidos, mas, pelo menos, eu prefiro comprar em sebos (pelo preço) ou na internet (para livros novos).

Aproveitem, porque bienal não tem todo ano

Aproveitem, porque bienal não tem todo ano

Vitória?

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E eis que o estopim que provocou as manifestações ao longo do Brasil teve resultado: houve redução das tarifas de ônibus. Mas, sabemos que não se trata dos 20 centavos, isso foi apenas a gota d’água necessária para que as pessoas que se indignam com as piadas do país se unissem, através das redes sociais (ou seja, Facebook e Twitter) para reclamar de forma bem visível. A questão é se, com a diminuição das tarifas, os ânimos vão se acalmar, porque, claramente, a redução das tarifas tem duas faces.

A primeira face é de que vale a pena protestar. Mesmo que seja por um motivo banal (os 20 centavos, se analisarmos a priori), se houver gente suficiente pra pentelhar, mudanças ocorrerão. Então, é de se esperar que, daqui pra frente, a população se empolgue mais na hora de pedir mudanças.

A outra face é o objetivo de enfraquecer o movimento em prol de um “bem” maior (no ponto de vista dos políticos), porque, se tocarem na ferida mais ao fundo, muita coisa ruim deve sair. Então, é melhor “dar o que eles pedem” para acabar com o tumulto e, ao mesmo tempo, com a possibilidade de que coisas maiores sejam pedidas. Claro que há, pelo menos da minha parte, a expectativa do tiro sair pela culatra mais tarde e o governo nos sacanear de alguma forma mais discreta. Já foi dito, tanto pelo prefeito do Rio como pelo de Sampa, que gastos deverão ser cortados em outras áreas e eu aposto em auxílio social, uma forma muquirana de deixar o povo contra o movimento. Por outro lado, não creio que o governo se arrisque a esse ponto, seria um blefe e tanto tentar fazer uma chantagem desse tipo. “Ou a passagem ou o bolsa família”. Até porque, já vimos a merda que dá quando se mexe em auxílio social.

E o ocultamento de tarifas através de impostos nos alimentos e em outras coisas essenciais torna uma resposta popular mais difícil. É complicado protestar contra uma sutileza dessas, não é um gasto direto que você vê todo dia como um aumento na passagem. Até por esse argumento, sou contra o Passe Livre em si, que seria a abolição do pagamento da passagem, que seria totalmente subsidiado. Se você não percebe onde está sendo roubado, você não reclama, é o causo do corno manso. E somos cornos mansos na saúde e educação. Os serviços são “gratuitos”, o que leva a um conformismo com a má qualidade do serviço. Se você paga por um hospital e ele não é decente, é natural que se faça um escândalo. É mais comum procurar ajuda jurídica e tentar sujar o nome de uma empresa que não te satisfaz no particular. Já no público, tudo é “de graça”, então, ninguém reclama. Exceto se não tiver merenda na escola.

Ocultar o aumento de ônibus nas tarifas é uma boa saída para nos roubar com um pouco mais de cara de pau. Já é feito isso no Bilhete Único, no fim das contas pagamos as duas passagens e, às vezes , me questiono se devo ou não usar o BU desnecessariamente: já que estou pagando nas entrelinhas, então vou gastar o máximo que puder, dando algum “prejuizo” no governo; por outro lado, estou dando dinheiro pras empresas que, independente do 2,75 ou 0 no desconto do BU, vão ganhar o seu no final do mês (apesar de eu não saber exatamente como é a recompensação). Mas, se vai ter que cortar de outras áreas importantes, por que não cortar do salário com assessores e dos próprios parlamentares?  É bem obvio que o gasto com esse pessoal é muito mais alto que o necessário e eles vêm dizer que é preciso cortar do que é nosso? Para garantir o deles, é claro. Acho que o próximo movimento deveria ser pela redução do salário dos parlamentares. Inclusive, vi algumas postagens do facebook apontando as 5 causas que vão além dos 20 centavos, vou postar aqui as minhas.

Congresso Nacional Brasilia

 

Isso só pra começo de conversa além de que, de certa maneira, 2 contém 5. Mas também precisamos ter garantidas a autonomia do judiciário em relação ao legislativo (não à PEC 37), garantia do direito de expressão, diminuição da corrupção policial (maiores salários e melhor treinamento).

Racionamento, Favela e Bolsonaro

Vou fazer aqui meu “giro” de coisas que ouvi hoje e que me deixaram indignado (compensando, portanto, a falta de giro na quinta pelo motivo de esquecimento de comprar o jornal).

Logo de manhã, descobri que mudanças na conta de luz estavam por vir. Agora de noite, descobri que se trata de um acréscimo no valor da conta por uma certa fração de energia gasta nos meses em que as hidroelétricas estiverem com menor vazão. Não é nada além de uma aplicação da Lei da Oferta e da Procura, da Economia, onde a demanda (consumo) é diminuída artificialmente se os preços aumentarem (acréscimo na conta), já que a oferta (energia nas hidroelétricas) será menor . Mas, por trás disso, acredito que sejam os mesmos problemas que nos trouxeram o racionamento, mas com uma solução diferente (e mais sutil, conseqüentemente, menos alarmista e mais bem aceita pelo povão): falta de um plano energético, falta de investimento em novas matrizes e a arte de levar tudo nas coxas. E aí está, apesar da diminuição (a sua conta diminuiu? a minha não…) na conta de luz, imposta pela presidente, o racionamento vai se revelando.

Ainda na vibe do racionamento, a reportagem do Jornal Nacional cometeu um erro de física básica, mostrando a unidade de Killowatt-hora como sendo kW/h.

killowats por hora

A segunda notícia diz respeito a um motorista que entrou “acidentalmente” na favela Vila do João e acabou baleado (e provavelmente, morrerá). As notícias chovem com opiniões contrárias à hipocrisia de que não devemos suspeitar do morador de favela, que o “morro” e o “asfalto” devem conviver, sem preconceitos. O que se fala é justamente o contrário, que “as ruas devem ser bem sinalizadas (até aí concordo) para evitar que pessoas se percam e acabem parando em lugares perigosos”. Então, o certo seria uma placa como a de baixo?

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Não acho que o cidadão tenha se perdido, a Vila do João é um lugar para se fazer retorno para a Avenida Brasil sem ter que pegar muito chão, considerando a situação que foi descrita: ele estava em direção ao Aeroporto, mas quis voltar para o sentido Barra, é bem plausível que tivesse entrado na favela apenas para pegar a Avenida Brasil e voltar. Então quer dizer que devemos desconfiar de bandidos ao pegar vias públicas? No horário de rush, muitos carros passam pela favela vizinha, a Maré e nunca vi nada suspeito. Segundo o Rodrigo Pimentel, comentarista de tiroteio da Globo, o morador do local já sabe o que fazer quando entra na favela: desligar o farol e abaixar os vidros. Não creio que o traficante vá ficar tomando conta de todo carro que entra, se ainda fosse um beco, mas era a via principal da favela…

Por fim, deixo a imagem para reflexão. bolsonaro

A notícia pode ser vista aqui, aqui e aqui. Algumas dúvidas: não é proibido comprar fogos de artifício? Ele não deveria estar em Brasília? Já não está na hora desse rapaz ir para uma casa de repouso descansar um pouco e receber remedinhos?

2013 está sendo…

2013, até agora, está mostrando ser o ano do “o que deveria dar errado, deu errado”.  Eu, que reparo como as coisas acabam “dando certo”, mesmo com toda a avacalhação, vejo que isso ajuda a abrir os olhos da população, que gosta muito de “deixar nas mãos de Deus”, enquanto não exige seus direitos nem cumpre seus deveres… Porque só deus mesmo pra ter tantos avanços de sinais e não ter mais acidentes de trânsito, motoqueiros passando pela calçada e não ter tantos atropelamentos, favelas construídas ao acaso (e mesmo condomínios) sem ter deslisamentos… Vamos aos três exemplos:

1 – Santa MariaKiss Santa Maria

Ambiente fechado, escuro e com música alta, tudo pra dar errado… E deu. Aí, fez-se uma polêmica sobre todas as boates do Brasil, sendo que a maioria é ilegal, as poucas que são legais, funcionam nas coxas e uma pequena minoria ínfima realmente leva a sério o cliente. Aí fizeram uma medida paliativa aqui no Rio, pra inglês ver mesmo, fecharam as principais boates (as mais famosas), daqui a pouco estarão abrindo de novo, com a mesma estrutura de sempre. Enquanto isso, boates pé de chinelo continuam atuando por aí, colocando seu som alto, trancando pessoas com cigarro em ambientes fechados e usando a calçada para todos os propósitos – estacionamento, mesas.

2 – Avalanche do Grêmio
Avalanche Grêmio AcidenteOutra estupidez que sempre teve tudo pra dar merda… E só deu agora. Em que planeta deixam tanto tempo uma porrada de gente se jogar contra uma grade… Isso porque desmoronou devagar, mas, mesmo que não desabasse, poderiam sair pessoas esmagadas… Bom, esse é um risco que se assume quando se vai pra qualquer evento de grandes aglomerações… E seria bem pior se o muro também tivesse caído, daí.

3 – 1 milhão e meio de pessoas do Bola Preta

Bola Preta deu merda

Fiz questão de frisar o site onde tirei isso, “diversão”

Um porrilhão de pessoas sendo empurradas em uma só direção, não sei como não deu merda até hoje. Ah merda dava, mas eram merdinhas, dessa vez foi uma merda federal, a pm perdeu algumas viaturas, teve gente passando mal e aquela lutinha de rua clássica. É como o caso do Grêmio, quem vai, já está se expondo só por ser uma multidão… Mas, nesse caso, é uma multidão absurda. Recheada com o espírito de porco – que só vem aumentando – do carioca…

E assim vai se encaminhando o mundo pós-apocalíptico, temos ainda a expectativa do Elevado do Joá realmente ruir e podemos nos lembrar do bondinho de Santa Teresa, que, por muito tempo, foi levado nas coxas até o limite em que realmente deu merda. E da obra do edifício Liberdade, que ensinou (ou não) que obras precisam ser supervisionadas, que pedreiro pode até dar um jeitinho até certo limite, mas obras estruturais não podem ser levadas na malandragem… Quantos acontecimentos vamos precisar pra ensinar ao brasileiro que o jeitinho é uma idiotice (o improviso é bom, mas em outras situações, não quando envolve vidas), vamos precisar de muitos choques em fios por roubo de cabos, uso de pipas ou fiação clandestina?

Pela interdição do elevado do Joá

Se é pra interditar o eleado do joá, interdita a cidade toda logo. Aí sim sou favorável. Casos de bala perdida na região próximo ao Lins merecem que as ruas do grande Méier e a Grajaú-Jacarepaguá sejam interditadas… Afinal, temos risco de morte também, ao passar por lá. Também a Avenida Automóvel Clube, com suas vigas expostas, deveria ser interditada. Aliás, a própria avenida brasil e sua buraqueira provocam alto risco. Fechemos a Brasil também. Vamos demolir e contruir vias decentes. Porque a operação asfalto liso já se mostrou uma piada.

A questão não é que eu seja contra a demolição do elevado do joá. Sim, eu passo lá e pode ser que um dia caia de lá. Mas, justamente por precisar dele, sei que não há alternativas viáveis. E, infelizmente ou felizmente, esta é uma cidade que não pára. Não podemos demolir a única ligação expressa Oeste-Sul. Assim como não podemos interditar a Brasil, nem fechar o túnel Rebouças… Infelizmente, essa questão requer medidas temporárias enquanto uma definitiva é pronta – criar uma via alternativa, não sei como (deixo pros engenheiros civis comentarem), paralela às pistas, o que liberaria a demolição e reconstrução, levando um bom tempo, de fato – ou então deixar o defeito de lado e fazer algo definitivo – poderíamos ficar sem a via se a linha 4 do metrô estivesse pronta e funcionando, indo muito além do Jardim Oceânico.

Porém, como a linha 4 só fica pronta pra lá de 2016, a única alternativa Barra-São Conrado continua sendo o elevado. Seja de carro ou de ônibus . De fato existe uma alternativa, a estrada do Joá, uma serra que liga a região da Barrinha e Itanhangá a São Conrado. Porém, além de ser serra íngrime, tem muitas cuvas e apenas uma pista pra cada sentido. Apenas uma linha de ônibus faz esse percurso, a 557. Agora, imaginem que o trânsito fosse desviado por essa via. Só quem conhece, sabe que é inviável: a Barrinha tem ruas estreitas, não dá conta nem do trânsito atual. E o grosso do trânsito não segue para Jacarepaguá, mas vai para a Barra e Recreio, ou seja, as pessoas precisariam fazer um contorno para pegar a Avenida Ministro Ivan Lins absurdo (quem já pegou as linhas de ônibus Alto da Boa Vista x Barra sabe que essa volta é um saco).

Então, levanto as questões: por onde as linhas de ônibus passariam e quais as alternativas restantes para o motorista (que, definitivamente, não vai pegar 465 lotado). Levando em conta que elas devem passar em São Conrado e na passarela da Barra, pra não prejudicar os passageiros, só restariam dois caminhos: a estrada do Joá, que, como já disse, é inviável, ou a Estrada da Pedra Bonita, subindo o Alto e descendo no Itanhangá, inviável pelo mesmo motivo. Naturalmente, ninguém de carro se atreveria a pasar por São Conrado, provavelmente indo pelo túnel Rebouças e Linha Amarela ou Grajaú-Jacarepaguá.  A amarela tem pedágio ambas já tem retenções em seu estado normal (com água caindo, pior ainda), na Grajaú teria o agravante de que o trânsito morreria na já engarrafada Freguesia.

Em conclusão, digo que o problema – e quem quer o ponha abaixo há de concordar – é a história de más administrações, é até um mérito deste governo atual (que critico diariamente) que tenha feito o estudo para avaliar a situação. Não sei ao certo se a motivação foi pressão da imprensa ou se realmente foi um mérito do Eduardo Paes. Às vezes, esse prefeito me parece sádico, apenas mostra o problema pra não resolver (Joá, proteção de monumentos devido ao carnaval, mas esse merece outro post) ou provoca um problema pra ver se até quanto as pessoas aceitam ser sacaneadas (aumento de passagens)…

História a parte, estamos com o problema agora… O que fazer? Poderiam adiantar a obra do metrô, criar alternativas pelo mar. Medidas têm que ser tomadas. Mas não podemos ser extremistas a ponto de querer interdição de algo assim importante. Como disse no começo, sou sinceramente favorável a interdição da cidade toda. A cidade fica em estado de quarentena. É nessas horas que falta um furacão ou um terremoto pra derrubar tudo de uma vez e colocar tudo de pé de novo. Só assim, porque, no país do jeitinho, vai-se levando nas coxas até onde não há mais solução.

Sua presença é ruim, então faz um favor pra mim

VAI SE FUDER, NÃO GOSTO DE VOCÊ

 

Cabuloso e sincero, combinação corrosiva
Espalha meu discurso e devasta mais que uma ogiva

Nesse mundo tem coisa que você arremessa e não volta
A flecha lançada, a palavra falada e minha bota

Pisando na garganta de quem vem aqui pra me atrasar
Preguiçoso dá passagem todo mundo pra somar

Pseudo maltrapilho escutando funk sem fone
“mas se isso aí é rap, onde é que tá o boné da cone?”

Chorava ouvindo restart, usava calça amarela
Hoje paga de skate, maconha e finge que é da favela

Toma todynho e vai pra cama pirralho
420 maneiras de te mandar pro caralho

Eu sou um bosta, sim, vocês é que são bons
Mas o inimigo chegou na velocidade do som

Nem sei se vale a pena eu me estressar nessa porra
Jogando pérola ao porco na esperança que ele engasgue e morra

Vem pra somar? não! revolucionar? não
Parasita do planeta estragando o que há de bom
Sua presença é ruim então faz um favor pra mim
Vai se fuder, não gosto de você

Eu sou um calo no dedo do pé que foge da batalha
A mensagem é tão foda que corta feito navalha

Embaixo dessa aba reta sua cabeça estraçalha
Trazendo a verdade: sua vida é uma falha

Hoje tá cheio de marra, na escola é o cara
Mas o mundo dá voltas e essa porra um dia acaba

E quando o tempo passar, não vai ser mais descolado
É foda ser marrento de uniforme no supermercado

Seu boné não é de marca e seu skate é sacola
Carregando as compras de quem você zuava na escola

“a feinha tá bonita e a gordinha emagreceu”
E você que era malandro, tô ligado, se fudeu!

Eternamente inconformado que tenha que ser dessa forma
O amor até constrói, mas é o ódio que transforma

Se uma garrafa de pinga já ta bom pra você
Traz um isqueiro e um pedaço de pano pra você vê

Só faço aquilo que gosto e aquilo que der na telha
É foda ser bode num planeta cheio de ovelha

Querendo sempre mais e questionando tudo em volta
Plenamente satisfeito é nada mais que um idiota

Moleque manipulado, vacilão, cu de burro
Quero seu camaro amarelo explodindo no muro

Se acha o zica, quem é você arrombado?
A raiz podre de um fruto estragado

Vem pra somar? não! revolucionar? não
Parasita do planeta estragando o que há de bom
Sua presença é ruim então faz um favor pra mim
Vai se fuder, não gosto de você

 

Cauê falando por mim…