Mestres e Monstros

Estou prestes a completar um ciclo, que começou com uma grande alegria, como meu professor de história na escola previu, mas que não termina como uma alegria maior ainda, como o mesmo professor disse (“É uma alegria quando entra e outra maior quando sai”), sinto que vou sentir falta desses anos. Talvez ainda me aventure no mestrado, até porque a UFRJ te empurra bastante a isso.  Estou contente por terminar, mas não é uma alegria do tipo “que bom que me livrei disto”, é mais uma alegria que pode ser resumida como “venci mais um desafio”. Gosto de desafios e às vezes, até acredito que sou viciado nisso.

viciado em trabalho

graças a deus é segunda

E, terminando este ciclo, gostaria de começar minha análise, ainda que precoce (mais tarde, lerei isso e , talvez, discorde de tudo, mas vale o registro), retornando ao primeiro dia de aula nesta digníssima universidade. A primeiríssima aula foi de Cálculo I, chovia no dia, cheguei um pouco atrasado e já estava frenética a aula, bem no estilo de aulas de filmes (mais tarde, veria que não é como nos filmes). Mas é sobre a segunda aula do dia que gostaria de falar neste momento. Era aula de Química I e tive a sorte de pegar nesta disciplina, um professor do tipo “mestre, que foi o primeiro que conversou com a turma sobre a faculdade (Cálculo I realmente seria mais complicado de ter uma relação mais íntima, tem muitos repetentes e pessoas de outros cursos, era uma coisa mais heterogênea, quem tava ali pela terceira vez definitivamente não queria ouvir discurso sobre “ser calouro”).

Cálculo com Geometria Analítica

Fiz cálculo com Leithold, ao contrário desses jovens criados a Stewart com pêra

Abrirei um parênteses aqui para mostrar o que quis dizer com um professor “mestre”. Existem três tipos de professores (embora, há quem defenda que há mais e outros que há apenas um tipo): o professor, o mestre e o dificultador. Professores ensinam, bem ou mal, e te avaliam, de forma rígida ou, menos provável, “mamata”. E não são aí as várias combinações dessas qualidades que geram o tipo de professor, estes são apenas professores. Não vão além disso, nem para o bem, nem para o mal. Provavelmente não serão lembrados no futuro, no máximo, serão lembrados se você teve mais dificuldade ou muita facilidade de passar com ele. O segundo tipo é o mestre: é aquele que te ensina  a matéria e, mais que isso, te ensina a viver. Seja com relação à sociedade ou à profissão. São os mestres que olham seu trabalho, mesmo não sendo professor da disciplina que você está trabalhando, mas se interessam e tentam ajudar. São os mestres que você tem gosto de assistir a aula, mesmo que seja uma coisa muito chata. Mestres serão lembrados… Assim como a terceira categoria, os dificultadores. Ninguém esquece. Esses são aqueles que você ri depois que passa, mas que, quando está fazendo a matéria, quer mais é a morte desse filho da puta. Você sofre pra ter histórias pra contar depois. São esses que o cara pergunta pra você na entrevista de emprego “como foi ter aula com ele” e você fica naquela indecisão, se fala “terrível, ele não me ensinava nada e fazia questão de cobrar coisas absurdas na prova”, saindo como sincero ou ofendendo um colega admirado do entrevistador, ou se fala apenas “tive que estudar muito”.

Profesores podem carrascos ou mamata. Mestres não são nenhum dos dois. Dificultadores sem dúvidas são carrascos

Professores podem ser carrascos ou mamata. Mestres não são nenhum dos dois. Dificultadores sem dúvidas são carrascos

Juntos, estes três espécimes formam o ensino da Universidade. Mas não só de ensino se faz a faculdade. Muitos dificultadores dão uma importância desproporcional à pesquisa. A UFRJ não é uma instituição ensino, mas de pesquisa. E creio que seja assim no resto do mundo, pois as reclamações noutros países costuma ser similar. Dificultadores possuem sua função, formar profissionais autodidata. Podemos aqui reclamar de quem faz de tudo para reprovar uma turma, mas, no fim das contas, se fossem só flores, acabaríamos mal acostumados. Pode ser que não, afinal, existem também “professores” (no sentido que usei para a classificação) ruins e geralmente a avaliação é dura. Neste caso, já teríamos nossa cota de Introdução à Autossuficiência (disciplina das entrelinhas). Porém, a questão é que alguns professores vão te jogar na cara que não adianta estudar sozinho, ir a todas as aulas/matar todas as aulas para estudar sozinho, você vai se fuder. Isso classifica os dificultadores. E acredito que sua motivação seja a má vontade com o ensino em si, pois, se dependessem deles, ficariam apenas na pesquisa. Não é uma crítica à pesquisa, ela é fundamental para esta instituição e conheci mestres muito dedicados à pesquisa e ao ensino (um até mais dedicado à pesquisa que ao ensino e ainda assim, deve ser considero um mestre), assim como existe um mestre totalmente dedicado ao ensino. Mas o que quero criticar é que, uma vez que a aula faz parte da profissão “Professor da Universidade”, ela não deve ser negligenciada. Tá certo que um professor, num laboratório, é multitarefa: além de professor e pesquisador, é orientador, administrador, alguns fazem até consultoria, além de sua vida pessoal. Ou seja, é difícil manter uma aula atualizada… Entretanto, não custa, pelo menos uma vez na vida, recomendar uma bibliografia decente e preparar um material minimamente organizado. Mesmo que a ementa fique parada no tempo, o aluno pode ser capaz de desenvolver o raciocínio, mais uma disciplina das entrelinhas. Um desses mestres certa vez disse que muito do que se aprendia não servia, na prática, mas preparava o cérebro. Muitas disciplinas não serão usadas no dia-a-dia do profissional, mas tiveram como função ter um cérebro musculoso e esbelto.

Bitch please, eu faço UFRJ

Bitch please, eu faço UFRJ

Mas voltemos aos tempos de calouro. Minha primeira aula e o belo discurso de um verdadeiro mestre.  Não lembro como foi a aula em si, ele deve ter falado sobre a ementa do curso (como é costume nos primeiros dias de aula) e dado matéria também, mas lembro que ele terminou mais cedo e falou sobre a importância da faculdade. Da função social do estudante, perante a sociedade que paga os impostos e nos mantém, até mesmo o cara que mora na favela e não paga uma conta está pagando impostos quando compra seu feijão com arroz. Que nós, como calouros, não precisávamos nos submeter a nenhuma brincadeira que não quiséssemos. A essa altura, os veteranos estavam nos aguardando ansiosamente no lado de fora da sala, apesar de não ter vista para o lado de fora, mas tem uma vista maravilhosa da cidade, incluindo Pão de Açúcar, Corcovado e Baía da Guanabara. Suas palavras me tornaram mais inteligente e humano em 1 hora do que todas essas disciplinas de humanas que, pra mim, só servem pra atrasar nossa vida.

CT UFRJ

Vista (ainda tenho que tirar um dia pra fotos)

Então fico por aqui, outro dia escrevo mais, mas não prometo nada. Termino com uma frase: “a universidade está formando profissionais que ainda não existem para um mercado que ainda não existe”.

Jogar no dado, Teoria da Decisão e Nerdices

Sempre lembro disto quando tenho que tomar uma decisão que pode me fuder completamente (e, depois, ficar me lamentando) ou me dar bem. Às vezes cogito jogar na moeda e deixar a cargo da sorte (e não de um planejamento falho meu) as vantagens e desvantagens de uma decisão.

Duas Caras e moeda

Jogando na moeda, menos sofrimento ao tomar decisões e viver a vida

Acabo consumindo muito tempo fazendo decisões triviais e, como aprendi na aula de IA (Inteligência Artificial), uma decisão não é necessariamente a certa, mas é tomada em pouco tempo. E a moeda me pouparia tempo de esperar tal ônibus (faço alguns planejamentos estatísticos na hora de ônibus, mas realmente é aleatório(colocaria uma cena do filme Mary and Max, onde o Max não entende porque os ônibus têm um horário se nunca chegam nesse horário, mas estou deveras atrasado e já estava procrastinando a escrita deste texto para achar essa cena)). E, assim, não me lamentar por, depois de ter esperado por 40 minutos, e só vir ônibus cheios, eu fazer outro caminho mais lento/ir  a pé e ser ultrapassado pelo veículo vazio.