Meu direito termina quando começa o do funkeiro

Ontem fui abençoado com festinha tarde da noite com direito a caixas de som para pessoas bêbadas falarem no microfone. E, na outra ponta da casa, podia ouvir muitas motos entrando e saindo do condomínio tocando funk alto. É de se desconfiar o que tanto carregavam . Porque não basta ser traficante, tem que colocar música alta de madrugada e “tunar” a moto pro motor roncar à beça, acelerando totalmente sem necessidade numa rua residencial. E, no condomínio ao lado, também não existe a possibilidade de se divertir de forma discreta sem incomodar os outros. Tem que ser na base da bagunça. Isso é Rio de Janeiro.

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Hipocrisia

Da Wikipédia:

A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não as possui.

De fato, os demagogos gregos defendiam as classes mais pobres, em geral fazendo uso de violência e outros artifícios apelativos, sem restrições de ordem comum, alegando o benefício de suas próprias ações na defesa de direitos da maioria, justificando-se como tal uma oposição à aristocracia conjuntural.

O episódio dos rolezinhos fez brotar muits declarações hipócritas e/ou demagógicas. E essas declarações servem de exemplo para diferenciar a hipocrisia da demagogia:

Um exemplo de hipocrisia é o sujeito enaltecer o absurdo da preocupação de shoppings com as aglomerações de pessoas pobres (se a preocupação é de fato com o fato de serem pobres e negros ou não, é outra discussão) enquanto ele próprio alimenta rótulos ao pensar que todo pobre ou negro tenha como “cultura” correr e gritar em público.

Um exemplo de demagogia é o cara convocar um rolezinho para fazer coisas que ele acha que todo pobre e negro faz, com o objetivo disfarçado de combater o consumismo (argumento falacioso, pois os depoimentos dos próprios “rolezeiros” originais é de que eles gostam de gastar dinheiro, às vezes até o que não tem) ou de combater o preconceito, mas, sua real intenção é se promover nos seus próprios princípios.

Então chegamos à turma dos Petralhas, que possuem um QI abaixo do torcedor de futebol fanático que precisam apenas de uma confusão, para defender princípios que o próprio PT já esqueceu, para protestar contra o governo que está aí nos oprimindo, contra a mídia manipulativa. Por sinal, esse argumento da mídia manipulativa nos traz à tona uma  falácia clássica, “Tu quoque”, que consiste no “faço isso, mas fazem muito pior que eu”, como que um erro justifica o outro. De novo, à Wikipédia:

Tu quoque (tu também)
Consiste em admitir um erro que os outros também cometem, como se fosse uma desculpa.Ex.: Você também foi acusado de crime de corrupção.

E, então, todo o foco foi desviado, o que era apenas para ser uma ideia de adolescentes de perturbar os outros (adolescentes fazem isso) virou uma discussão social, e o evento foi apropriado por pessoas com as quais a turma do rolezinho não se importa.

SE VOCÊ É REAÇA E ESTÁ SE TREMENDO DE DESGOSTO COM MEU “CONSERVADORISMO”, LEIA A PARTIR DAQUI

Agora, se você é um reaça e chegou até o fim do texto (improvável), provavelmente pulando por desgosto (espero que tenha lido a  linha acima e parado aqui), como aconteceu comigo lendo o texto da Aliança Revolucionária do Proletário Jovem, gostaria de realizar um questionamento pacífico: qual seria a posição correta dos shoppings? Não com relação a barrar pessoas com base em cor de pele, roupa ou idade, isso acho que devemos concordar, que ninguém deve ser barrado já que é um espaço PRIVADO ABERTO AO PÚBLICO (isso também tem gerado muitos raciocínios errados na parte de quem condena o rolezinho, considerando o shopping como um espaço privado, o que não é, como explicado neste vídeo) e que sim, uma triagem na entrada do shopping seria preconceito e discriminação. Vale notar que shoppings costumam colocar avisos de proibido para pessoas descalças ou sem camisa, mas creio que isso não possa ser considerado alguma intolerância.

Mas gostaria de saber, caro reaça, qual deve ser a postura do shopping de acontecer um churrasco (não foi o que a turma do rolezinho fez, mas foi o que a turma do anarco-socialismo fez na sua versão do rolezinho), se colocarem música alta na frente de uma loja, se começarem a dançar em cima da mesa da praça de alimentação. Porque eu não me sentiria bem com uma situação dessas, assim como não me sinto bem quando colocam música alta no ônibus.

Será que um pouquinho de respeito ao próximo é ir contra a cultura do país? Aliás, será que esse comportamento favelado realmente é uma cultura? Será culpa dos trópicos, que estamos adotando um estilo dos países temperados num país tropical? Pode ser que eu tenha sido criado neste conceito “errado” e que a sociedade deva se tropicalizar mais, mas acredito que, para um bom convívio, não costumava nada abaixar a voz, passear com calma e ouvir sua música no seu fone, ou na sua casa num volume baixo.

É triste, mas é uma grande hipocrisia o coitadismo social, justificar um comportamento nocivo para algumas pessoas (e às vezes, até criminoso) como parte da condição social da pessoa.

Para mais ler um resuminho sobre os principais comportamentos de discussões com hipócritas, leia este link.

Hoje tá tough

Depois de um acidente na Freguesia e outro na Linha Amarela, fazendo-me percorrer um caminho por dentro da favela da Vila do João, agora um temporal. Que horas chegarei em casa, será que ficarei dois dias sem jantar?

EDIT: Não há nada de ruim que não possa piorar. Peguei ônibus com dois nem, um ouvindo estática do rádio e a outra ocupando lugar de idoso com uma criança e vendo tv. Deu apito de nextel na minha orelha e tinha gente de escola pública. Tudo isso porque o satanás do saens peña não veio. Não que ele fosse 100% seguro RIZOS mas é isso aí. Bolsada de um lado e cara inquieto no outro na ida e, no segundo ônibus, passeio na favela. E na volta, chuva e lixo. Vamos todos lixovicar.

Programa Bairro-Favela

Depois do programa Favela-Bairro da administração anterior, temos na atual administração o programa Bairro-Favela.

A propaganda de Eduardo Paes diz “não tenho mais vergonha de dizer que sou da favela” ou algo do tipo. Graças a esse programa. Nesses últimos 4 anos, tudo virou favela, fomos nivelados por baixo. Houve um descaso generalizado com a expansão e com a falta de educação das pessoas e chegamos ao ponto em que condomínio e favela, trem e metrô, todos estão muito à vontade. Não tem vergonha de dizer que mora na favela, claro, fez-se uma glamourização do lixo, ser favelado é chique.

Às vezes eu culpo o minha casa, minha vida, os miseráveis se envolvem em dívidas a perder de vista, mas conseguem comprar uma casa num lugar decente e vêm atazanar a vida de quem queria sossego. Ás vezes, culpo o ser humano mesmo, com sua tendência a ser folgado, e à tecnologia, que, mal usada, permite a esses humanos folgados fazer a farra que quiser.  Enfim, este é o programa Bairro-Favela, nivelando por baixo a educação do povo carioca.

É, cada povo tem o Eduardo Paes que merece.

A difícil convivência

A convivência está cada vez mais difícil. Sempre evito pensar que isso seja saudosismo da minha parte, e minhas lembranças dizem que não. Acredito que nunca antes na história desse país, houve tanta dificuldade para se conviver com as pessoas. Alguns fatos que me levaram a essa conclusão pessimista: nunca vi tantos carros com sistema de som ligado nas alturas, com tanta frequência; claro, as caixinhas de som de celular, em toda parte, ambientes fechados ou abertos; motos fazem barulho propositalmente e avançam pelas calçadas e passarelas; usa-se nextel em lugares fechados, como transporte coletivo e restaurantes, com aquele apito irritante, sem o mínimo de bom senso; e fica óbvio que minha implicância é principalmente na parte auditiva, mas as pichações tão aí para nos brindar com o lixo visual. A questão é que as pichações sempre estiveram aí, isso eu tenho consciência. Talvez só fiquei mais sensível e me dá uma onda de raiva ao ver certos lugares, como interior de residências, em que esse abuso é feito.

A convivência vai se tornando insuportável. As pessoas se sentem muito à vontade para incomodar as outras porque ninguém reage… E nem tem como reagir: muitas dessas questões não podem ser tratadas com polícia, mas são questões de bom senso (falar em celular em espaço fechado) e aquelas em que pode ser colocadas com polícia (som alto, infrações de trânsito), o estado não pode fazer nada. Eles só falam “você está coberto de razão, essas coisas não devem ser feitas, mas não podemos fazer nada / não é de nossa jurisdição”, é como diz aquela música do mestre Renato Russo:

“Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.” Legião Urbana – Metrópole

Claro que a impunidade incentiva, mas não é possível colocar polícia em todo canto. Percebi isso quando vi um cara pela calçada de um estacionamento de moto, em alta velocidade. Ali, era um típico caso em que não tem como o estado controlar tudo, cada um tem que ter consciência, a qual vem com educação. Por outro lado, o fato de ter uma mão te dando tapa assim que te vê fazendo besteira, você acaba sendo adestrado e, se nas principais vias você obedece e nas ruas de condomínio, você caga todo o trânsito, você é mesmo um filho da puta porque tá se esforçando pra fazer o errado. Isso é um desvio de conduta grave, por mim ia para a boa Casa Verde.

Somado à impunidade e à falta de educação, há a glamurização da porcaria, o orgulho de ser favelado que, a principio, era que a pessoa queria se mostrar digna em morar num lugar marginal (o que já acho bizarro, as pessoas devem tentar melhorar de vida ao invés de se acostumar com a merda) e acabou por se transformar em orgulho do comportamento inconveniente, e a mídia, que não é boba, entrou na brincadeira e hoje temos ai porcarias como Esquenta “incentivando” ser um favelado.

Com  todo esse lixo, as pessoas se sentem no direito de fazer o que bem entendem. Acabou o autocontrole, acredito que a maioria faça o que quer no transporte público e prevejo um futuro com gente fazendo sexo ou defecando no ônibus. Em casa, as pessoas se esquecem que têm vizinhos, não fazem o mínimo de esforço ou param o mínimo de tempo pra pensar que podem estar incomodando. E, se há reclamação, ignoram. Quando são casas, cada um faz o que quer e nem há uma autoridade local a que recorrer. Quando são prédios, pode até se reclamar com o síndico. Possivelmente, também é ignorado, isso quando não é parceiro do fanfarrão. Motoristas de ônibus que escolhem se seu dia vai ser tranqüilo ou se você vai se atrasar, passando por fora, abrindo a porta com o carro em movimento, deitando ou colocando também sua musiquinha. A convivência se torna difícil. Eu tenho vontade de mudar as pessoas, mas não posso . E, para finalizar, há aquela máxima infeliz do “INCOMODADO QUE SE MUDE”. Isso é uma das maiores imbecilidades que eu vejo o povo acreditar. O incomodado que fique com o prejuízo vendendo a casa a um preço barato para se livrar dos vizinhos que possuem sistema bomber de som no carro, se aborrecendo com pesquisa de preços para um novo lar. O incomodado que pegue 4 ônibus para ir para onde quer ir, descendo a cada um que colocar música alta (perceba que é uma probabilidade alta, basta 1 filho da puta desgraçado em 50 passageiros) e a cada um que decidir fumar… O incomodado que gaste uma fortuna indo no frescão para evitar se aborrecer e ainda não tem nada garantido porque pode um arrombado sacar seu nextel e ter aquela conversa interminável, acabando com o silêncio e fazendo seus 8 reais irem pro lixo. O incomodado que gaste uma fortuna com um carro para não ter um espaço compartilhado e se permita somente aos aborrecimentos de trânsito, com todo tipo de malandragem e passadas de perna que são peculiares a este ambiente. E, para finalizar, a mentalidade é “O INCOMODADO QUE SE MUDE, EU TO AQUI PRA INCOMODAR”. Essa música e a comunidade do orkut são os marcos da decadência em que vivemos.

Há um orgulho no incômodo. Poderia-se argumentar que as pessoas nem percebem o que estão fazendo, não é verdade porque  elas nem fazem cerimônia. E, claro, quando você pede a colaboração, recebe ignorância e, na maioria das vezes, a reação é com raiva. Sério, velho, a pessoa tá lá sendo um filho da puta e fica com raiva porque você pediu pra abaixar o som… 5 minutos depois, o som que você achava que estava no máximo tá o dobro do volume. Parece que as pessoas só tão esperando isso mesmo, tão ali pentelhando pra atrair pra si a antipatia e poderem “se vingar” do mala que pede pra abaixar o volume, apagar o cigarro ou jogar o lixo no cesto.

Max escreve para o prefeito

gosto muito da cena em que ele parte pra cima do cara jogando papel no chão

 

A convivência está difícil, quase impossível. Por isso, estou a ponto de desistir de sair de casa e mandar crescer um muro alto com isolamento acústico. E tampar minhas janelas. Não há esperanças, o mundo é dos filhos da puta.