Se chorei ou se sorri

Crente que não havia mais aventuras para o resto do ano, na última semana útil, na antepenúltima (!) do ano, eis que me surge. Tempestade, paisagem típica do verão carioca que para a cidade de forma banal, insatisfeito com a demora do ônibus, o engarrafamento e a potencial presença da minha ex no mesmo ambiente pelas próximas três horas, fui andando da cidaduni até manguinhos e cheguei em casa em 50 minutos… ultrapassei 4 ônibus do metrô e dois cruzeiros do sul e peguei um ingá. E pensar que hoje, fui pela serra, peguei um lendário 325 que nem sabia que existia, o professor perdeu minha prova. Não recomendo a caminhada pela linha amarela, é bem perigoso, não por conta dos carros – que estavam parados – mas por conta de motos.  Mas realmente valeu muito a pena, estava tudo parado e meu ônibus chegou quando eu estava começando a caminhada e não deve ter chegado tão cedo aqui…

Dois dias de chuvas de verão

Depois de um dia que um toró rápido de 15 minutos inundou a avenida ayrton senna e parou a linha amarela toda (e levei só 2 horas e 20, nada perto das 4 da última vez que fecharam o túni), no dia seguinte, todos ficaram traumatizados e a linha amarela estava livre. Entretanto, peguei a chuva toda na cabeça e, enquanto esperava meu ônibus, naturalmente atrasado por conta dos transtornos e aproveitava pra me secar na sombra, ouvi um trance louco do dono da cantina onde me abriguei.

Sua presença é ruim, então faz um favor pra mim

VAI SE FUDER, NÃO GOSTO DE VOCÊ

 

Cabuloso e sincero, combinação corrosiva
Espalha meu discurso e devasta mais que uma ogiva

Nesse mundo tem coisa que você arremessa e não volta
A flecha lançada, a palavra falada e minha bota

Pisando na garganta de quem vem aqui pra me atrasar
Preguiçoso dá passagem todo mundo pra somar

Pseudo maltrapilho escutando funk sem fone
“mas se isso aí é rap, onde é que tá o boné da cone?”

Chorava ouvindo restart, usava calça amarela
Hoje paga de skate, maconha e finge que é da favela

Toma todynho e vai pra cama pirralho
420 maneiras de te mandar pro caralho

Eu sou um bosta, sim, vocês é que são bons
Mas o inimigo chegou na velocidade do som

Nem sei se vale a pena eu me estressar nessa porra
Jogando pérola ao porco na esperança que ele engasgue e morra

Vem pra somar? não! revolucionar? não
Parasita do planeta estragando o que há de bom
Sua presença é ruim então faz um favor pra mim
Vai se fuder, não gosto de você

Eu sou um calo no dedo do pé que foge da batalha
A mensagem é tão foda que corta feito navalha

Embaixo dessa aba reta sua cabeça estraçalha
Trazendo a verdade: sua vida é uma falha

Hoje tá cheio de marra, na escola é o cara
Mas o mundo dá voltas e essa porra um dia acaba

E quando o tempo passar, não vai ser mais descolado
É foda ser marrento de uniforme no supermercado

Seu boné não é de marca e seu skate é sacola
Carregando as compras de quem você zuava na escola

“a feinha tá bonita e a gordinha emagreceu”
E você que era malandro, tô ligado, se fudeu!

Eternamente inconformado que tenha que ser dessa forma
O amor até constrói, mas é o ódio que transforma

Se uma garrafa de pinga já ta bom pra você
Traz um isqueiro e um pedaço de pano pra você vê

Só faço aquilo que gosto e aquilo que der na telha
É foda ser bode num planeta cheio de ovelha

Querendo sempre mais e questionando tudo em volta
Plenamente satisfeito é nada mais que um idiota

Moleque manipulado, vacilão, cu de burro
Quero seu camaro amarelo explodindo no muro

Se acha o zica, quem é você arrombado?
A raiz podre de um fruto estragado

Vem pra somar? não! revolucionar? não
Parasita do planeta estragando o que há de bom
Sua presença é ruim então faz um favor pra mim
Vai se fuder, não gosto de você

 

Cauê falando por mim…