Uma desagradável experiência no Metrô Rio

Ontem fui em Botafogo para lembrar o quão ruim é chegar em Botafogo, sair de casa pela primeira vez desde que fiquei em estado de lixo humano, papear com amigos e ver beldades zona sulescas. Na ida, eu poderia ter ido por Ipanema, mas quis ser malandro e decidi ir pelo Jardim Botânico, desci na Alvorada e para nossa alegria, havia um 179 (309) parado. O terminal da Alvorada tá um lixo total, todo cheio de obra, improvisado e achei os pontos mal distribuídos, 691 e 692 em baias diferentes e o próprio 309 bem longe do 524, daí você tinha que escolher um e tentar a sorte (e chorar ao ver o outro chegando no ponto e você perdê-lo). Quando ia me adentrar ao 309 (mentira, nem ia adentrar, mas ia ficar na fila), vi que havia um som e percebi que, no banco do motorista, havia um RÁDIO ou coisa desse formato. Trata-se de uma caixa de som de favelado arrombado que paga sei lá 30 reais por isso em vez de um fone…

dj

Espera o próximo, trouxa

Empresa Real decepcionante, ainda mais no terminal, nem o fiscal liga pra isso mais… Perdi o ônibus naturalmente e me arrependi de não ter ido por Ipanema. Peguei o 524 e um monte de engarrafamentos (Barra e São Conrado nunca deixam de tê-los?)… “Até aí , tudo bem” disse o suicida ao passar pelo oitavo andar.” Vi uma Ferrari pela primeira vez na vida (foi na Barra). Na Jardim Botânico voou e fui caminhando do metrô até o Rio Sul, vendo a derrota do bairro de Botafogo, tão suburbão quanto a maioria dos bairros do rio (pichações, pagode de bar, cadeiras nas ruas, sinal vermelho ignorado) e não me fudi até a volta.

Já era “tarde” para quem leva 2 horas para chegar em casa e, para voltar, decidi ser malandro e usei o BOM metrô. A senhorita na estação botafogo me garantiu que haveria ônibus de integração ônibus x metrô e me deu o bilhete mais caro do metrô. Anotem isso. Na linha 1, vieram dois índios bolivianos e começaram a cantar aquelas músicas Radio Espantoso com uma animação inversamente proporcional ao necessário para 11 da noite. Mas a verdadeira face do lixo carioca veio na linha 2 (por algum motivo que eu não entendo pois não sou usuário do metrô, não havia trem direto pra Pavuna ontem, voltando àquilo que eu fiz da última vez em que peguei metrô: troca de carros no Estácio). Assim que entrei, havia um filha da puta dormindo usando dois lugares. Cutuquei, o cara do meu lado cutucou também, sacudimos e o filho da puta não acordou. OK, fica-se em pé feito um otário, mas ai outro desgraçado começou com musiquinha, fui pro lado oposto do vagão, não sem antes presenciar um terceiro babaca esperando a hora oportuna da porta do metrô abrir pra jogar lixo no chão por ela. Do outro lado, a neinzice só veio quase no final, somando dois DOIS imbecis tocando música alta num mesmo espaço e francamente, vocês acham que o carioca não é um povo porco?

“Eu acho!”

Chegando (finalmente) na estação Del Castilho/Nova América… CADÊ A PORRA DO 611… E nem o 614 tinha… Tomei no cu e pirei, felizmente estava acompanhado. O segurança da estação Del Castilho, por sinal, foi bem atencioso, mas ele não podia fazer nada quanto à cagada da senhorita na Estação Botafogo. Os ônibus já tinham parado de circular e ele me ofereceu liberar a catraca do metrô, eu até fui, mas logo desisti, voltar para o Centro ou Tijuca nessa hora teria sido o suicídio (eu tomo boas decisões se tiver sobre pressão e tempo pra pensar) e vazei da estação segundos antes dela fechar. Assim que saí, começou o tiroteio (você pode parar aqui se achar que é sacanagem, mas não é), não sabia o que fazer (nesse momento tava sozinho), mas decidi que meu santo é forte (ainda quando estava em Botafogo, pisei na rua pra atravessar e veio um carro voado do nada que quase me pegou), por e atravessei a passarela do trem (com o cu na mão) e quase coloquei o celular na cueca, mas felizmente não foi necessário. Fui até o Norte Shopping, peguei o 692 salvador e cheguei rapidinho na Freguesia (apesar das voltas dele na zona norte) e, depois, um 636 com música alta, naturalmente.

Então, mais uma vez fica ai o serviço de utilidade pública, se for pegar o ônibus do metrô 611 ou 614 (integração Jacarepaguá e Alvorada) depois das 10, melhor não arriscar e desistir.

Lixo

Não confie em quem te oferecer isso, é cilada, Bino!

Pois é, chega um momento que você se fode e perde o senso de humor, porque é demais já… E isso já aconteceu outras duas vezes esses dias, com o 732 que não pára na Pau Ferro e com o 693 que tava com vista de 691…

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Londres 2012, Sua Majestade e The Rock

Como era de se esperar, a abertura britânica das Olimpíadas foi elegante, com seu bom gosto que lhe é peculiar. Fiquei esperando qual seria o equivalente do Brasil, se a abertura seguisse o mesmo script por aqui (claro que não seguirá, seria plágio, seria falta de criatividade e, princiapalmente, não se aplicaria bem).

Começando pela história antiga da Inglaterra, poderíamos falar da história do Brasil e suas passadas de perna e golpes. Desculpa, estou sendo cruel. Foram colocados alguns músicos no palco para dar uma apimentada na (belíssima) trilha sonora, eu lembro de um baixista e dos Arctic Monkeys (são legais, são parecidos, em tese, com Coldplay, U2 e Snow Patrol, mas não funcionam comigo. Comigo, só batem como música ambiente). No Brasil, o que teríamos? Maria Rita, com certeza. Milton Nascimento… Todos os chavões da MPB, fazendo aquela cena… Com sorte, teríamos um Andreas Kisser ou um Titãs, esses aí devem ser os únicos rockeiros que têm facilidade com a mídia… Não consigo imaginar uma abertura no Brasil sem lembrar do filme Rio, acho que não tem como mudar isso, a trilha sonora vai ser aquela, a temática vai ser aquela e as cores serão aquelas. Provavelmente teremos Sérgio Mendes e Carlinhos Brown.

Em outro momento, tivemos homenagens à literatura com Mary Poppins e J. K. Rolling, e acho digno que o Brasil copie usando Macunaíma, a homenagem perfeita ao mesmo tempo a um personagem tipicamente brasileiro e à literatura. Mas poderíamos homenagear o cinema e ter Capitães Nacimentos.

mary poppins london 2012 rio 2016

Tivemos ai um momento Mr. Bean. Não gosto muito dele, mas a atuação dele foi excelente no show e a idéia ficou ótima. Claro que aquilo é o fino da ironia britânica, se fosse no Brasil, estariam falando em caps lock RENATO ARAGÃO BOCEJOU E TIROU FOTO DURANTE O SHOW DAS OLIMPÍADAS NÃO TEM RESPEITO ALGUM.

Gente, não quero desprezar o Brasil, stalkers que caçarão meu nome no futuro pra me derrubar, não se trata de uma coisa séria, levo muita fé no Brazil, só tem gente fina aqui um beijo!

E que mais artistas teríamos? Lima Duarte? Bruno Mazzeo! A questão não é que aqui não tenha coisas boas, quero deixar claro, sempre procuro achar coisas boas e até me forço a ver/ouvir/conhecer coisas desse país que normalmente não veria, a questão é que fica aquela sensação de panelinha. São sempre os mesmos. Perceba a diferença: Mr Bean é um personagem internacional, Patati Patatá é uma coisa nossa. E Turma do Didi é coisa nossa e da panelinha de sempre. Preferia que colocassem o Senhor Donizildo que a Turma do Didi na abertura. Agradecido.

Foi mostrada a evolução da música britânica, a motivação não me foi agradável: uma garota que vai pra balada. Uma típica família britânica com seu minicooper.

London 2012 Opening Car

Se fosse no Brasil, seria um Gurgel

Aí toca aquele rap chechelento, mas, enquanto fui pegar água na geladeira, ela entrou num túnel do tempo e caiu nos Beatles, e só conseguia falar com sua paquera através de SMS. Beatles, a coisa fodamente britânica. Teve de bom dessa retrô Queen também (a galera foi à loucura no estádio (o rock morreu, sei)) e outras coisas boas, mas que não conheço, depois pesquiso a lista dessas músicas (se vc, leitor, achar, posta no comentário fasfavo que me poupa o trabalho e eu provavelmente vo esquecer dessa merda). E, no paralelo, teríamos a desevolução da música ehehhehe “De Villa-Lobos a Michel Teló”. Mas aí que tá, no fim culminava em rap, o que é uma merda, seria o equivalente de Michel Teló deles… Mas eles têm Coldplay caralho, e não deu as caras. Nem uma musiquinha… Devia tá muito caro, com alguma estrelinha. Uma pena, acho que ia ser epicamente foda ter um Coldplay ali (não no final, o final tinha que ser exatamente como foi). Também senti falta do Iron Maiden (podia vir o avião da Besta  e dar um susto em todos e o Steve Harris descer destruindo tudo) e da delegação e bandeira da Robônia. Mas, apesar da falta do U2 e do Pink Floyd físicos (que também dariam, um efeito ainda mais arrebatador) foram executadas músicas na entrada das delegações (qd Robônia) e nas músicas, fiquei arrepiado… (acabei de ler isso pesquisando o vídeo das músicas e pooooooooooooooooooooooooxa: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/01/comite-de-londres-2012-tenta-reunir-pink-floyd-para-festa-de-encerramento.html )

A narradora do evento era muito, muito chata, ela falava LAAADIES AND GEM TLE MAE, por fim, aquela coisa épica. Achei que ia dar merda, o som tava dando um eco bizarro que não entendi, nem ninguém da tv quis explicar pra não acharem que foram eles que fizeram a merda… mas Hey Juuude…

A indiferença socioeconômica do povo, por Zeca Pagodinho

Todos sabemos que o povo brasileiro é muito pacífico e bem humorado, até que você discordo de algo. Politicamente falando, é um povo geralmente indiferente e religioso, no sentido em que tenta acreditar naquele candidato com carisma até que as evidências sejam totalmente óbvias. E, o pior de tudo, o brasileiro é um povo reclamão, mas acomodado. Pelo menos o são os que eu conheço. Nunca vi alguém falar bem do governo, igualmente nunca vi, fora do ambiente universitário, um cidadão apertando a mão de candidato, mas exigindo algo. Pessoas que falam mal do governo, mas não movem um dedo pra exigir seus direitos. E, possivelmente, acham que hospitais e escolas públicos são ruins porque são de graça, quando não o são. Zeca Pagodinho (eu tenho quase certeza que não foi ele quem compôs: pelo que sei, ele conta com vários parceiros que compõem, ele só tem a parte da carisma, é o Lula da MPB) descreveu isso de forma épica na música “Deixa a vida me levar”. Acompanhe.

Eu já passei
Por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez

Começa bem “espero a minha vez”. Quem espera, é porque depende dos outros, quer o melzinho na chupeta. A gente espera ônibus, a gente espera filho. Não podemos esperar a vida melhorar, tem que correr atrás, campeão!

Confesso que sou
De origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez…

Tá, nada contra você ser pobre, é até poético, fica bonito, mas o “assim que deus me fez” revela o determinismo e, novamente, a disposição em esperar que as coisas se acertem. Deus fez você assim, bom! Deus fez os políticos corruptos, uma pena! A gente vai levando… (Buarque, Chico)

E deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)

E o grande refrão do pamonha brasileiro. Deixa a vida me levar e a licença poética para o vida leva eu, tudo isso para se contentar com a vida mais ou menos de proletário.

Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu…

De novo esse rapaz, o Deus.

Foi deus que deu e satanás que pagou as prestações, fdp

Só posso levantar
As mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu

Respira…

Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho lá vou eu…

Você não precisa de tudo isso que você pensa, amigo. Você é um oprimido do sistema que faz você pensar que precisa de mais que isso. Mas, tudo bem, supondo que o eu-lírico seja mesmo carente, esse verso parece ser o mais ingênuo até agora.

Se a coisa não sai
Do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar

Pronto, voltou à acomodação. Traduzindo, “se todo mundo faz o errado, não fico chateado, faço papel de otário.”

E aos trancos e barrancos
Lá vou eu!
E sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu…

“Apesar das dificuldades, eu continuo tentando levar essa vida mais ou menos e me contento com o que o governo me oferece, ainda que seja esterco”

Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu…

 

Repete o refrão… Zeca! Esse filósofo, não, sociologista, não… Intelectual da relação da população oprimida por uma falsa democracia.

Autódromo de Jacarepaguá

Venho aqui rapidamente lamentar pelo fim do Autódromo de Jacarepaguá. Autódromo que levou o nome desta região para o mundo através da Fórmula 1, Fórmula Indy (essa quando eu era pequeno, lembro de um vizinho meu ter ido, trouxe uma revista com informações com um monte de pilotos) e moto GP, e que, ao longo dos anos, veio sendo sacaneado pela especulação imobiliária e despreparo de governantes. Por exemplo, a Fórmula Indy foi pra um circuito de rua em SP, podia não ser no Autódromo, mas que circuito de rua fascinante não seria um passando pela Perimetral e Praia de Botafogo?

A prefeitura havia se comprometido em  deixar um autódromo substituto antes da demolição deste, o que ainda seria lamentável, pela tradição, proximidade com minha casa e pelo elogiado traçado. Mas nem isso, o autódromo de Deodoro tem problemas com área ambiental e uso para exercícios militares com minas terrestres e não podia ter sido uma escolha pior. Fora o fato de já ter uma favela no entorno , parece que é de propósito.

Achei aqui um site com bastantes informações e vídeos legais: http://www.sosautodromorj.blogspot.com.br/

Mas vai acabando a esperança, Eduardo Paes cada vez mais próximo de pôr suas maluquices em prática e é cada vez mais difícil que o Autódromo e a Perimetral continuem de pé… Só gostaria de ir lá, entrar e ver, talvez registrar. E dar adeus ao automobilismo do Rio.

Músicas que dão lembranças

Decidi fazer uma série de posts aqui, conforme vou me lembrando. Algumas músicas/álbuns/bandas me trazem umas lembranças específicas. Tive reparando que algumas me lembram o inverno e acabo por ouvir todo inverno (tentei achar um padrão pra isso no last.fm, mas não vi e acho que tenho que parar de ficar procurando padrões no last.fm, isso não tá me fazendo bem RISOS)

Oasis – Álbum Familiar to Millions

Lembranças dos longos caminhos até Botafogo para a dentista

Legião Urbana – Teorema

Lembrança da pré-adolescência, atrasado para o curso de inglês, na época que eu tinha carona e a música moda era um “hiphop”. Atrasado porque deixei baixando essa música no eMule, numa época em que baixar coisas era complicada com a internet discada, me arriscando a usar o caríssimo horário comercial e jogando Unreal Tournament

O cristianismo e 1984

O livro 1984, de George Orwell, pode ser considerado uma bíblia do século XX. Com uma história elegante cujo protagonista, tal qual Jesus, sofre em nome de um povo que o condena, reflete bastante do que o cristianismo, quando posto em prática, acaba por seguir. Se você ainda não leu, recomendo parar a leitura por aqui e começar a ler o bom 1984. Se não leu e mesmo assim continuou, espero dar aquele incentivo.

Na história de 1984, temos uma Londres controlada por uma entidade impossível de ser alcançada, que olha por todos. Este é o famoso Big Brother, cujo lema é “O Grande Irmão Zela por ti”. Naturalmente, este é Deus. Ele é capaz de prover comida e conforto, pode ver tudo e todos.

O Grande Irmão Zela por TiGrande Deus está te vendo

No universo de 1984, existem três hierarquias principais: O Partido Interno,  o Externo e os proletários. O Partido Interno seria como a igreja em si, no catolicismo, e os bispos e pastores, no protestantismo. Porque, no fim das contas, são eles os verdadeiros responsáveis pelo controle do Grande Irmão. E existem alguns dispositivos para este controle , coisa que a religião ainda não fez, até onde sei, a menos pelo controle mental, através de sacramento da confissão, o que funcionava na era das trevas, mas acredito que não seja mais tão eficiente nos dias atuais… E mesmo assim, ainda permitia a possibilidade da mentira, apesar de tudo. Mas estes dispositivos de controle, em 1984, são físicos, são as teletelas, televisores que mostram a programação do governo, com intensa propaganda e, ao mesmo tempo, possuem câmeras capazes de gravar. Elas são colocadas nas casas e nas ruas, sendo quase impossível escapar delas. Pode ser feito um paralelo com a programação de pastores, aplicando intensa lavagem cerebral, mas com resalva, já que eles ainda não podem ver pela tv o que você está fazendo. Em 1984, essa lavagem cerebral possui toda uma equipe responsável, o Miniver (Ministério da Verdade), onde ocorre falsificação de documentos e acervos, sendo possível anunciar que o preço da comida aumento, mesmo que, claramente, esteja mais barato. Naturalmente, as pessoas possuem memória, mas nunca podem provar, já que os documentos estão falsificados. E a habilidade de acreditar, apesar das evidências dizerem o contrário, é chamada de fé… No cristianismo, mas em 1984 é o duplipensar.

religião

enxergar só o que deve ser visto

“Duplipensar é a capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias, e aceitá-las ambas.”

Para efeitos de comaração, veja o que o próprio pastor  Silas Malafaia fala a respeito…


troque Deus por Grande Irmão e inferno por sala 101A falta de habilidade em aceitar o duplipensar é algo que pode ser repreendido, dentro da chamada crimidéia. Ou seria pecado? É difícil penetrar na mente da pessoa, porém, existem alguns comportamentos descritos no livro que podem denunciar a pessoa e ser pegada pela polícia de pensamento.

Por sinal, voltando à falsificação de documentos, há provas [carece de referências] que a bíblia foi falsificada e teve sua tradução alterada. Não é muito difícil pensar isso, ela foi escrita originalmente em uma língua pouco difundida, traduzida já quando havia interesses em edições e cortes (e acredito que essas “bíblias crentes” estejam alterando ainda mais, se bem que não é necessário, chegou-se a um nível em que qualquer absurdo escrito ali é aceito). Ainda mais na Idade Média, onde o acesso era restrito e quem duvidasse ia literalmente pro fogo. Já o inferno, em 1984, é a sala 101.

“Você me perguntou uma vez, que estava no quarto 101. Eu lhe disse que você sabia a resposta já. Todo mundo sabe disso. A única coisa que está no quarto 101 é a pior coisa do mundo.”

O partido não mata ninguém sem que antes  confesse crimes que não cometeu (através da teletela, para todos verem), sem que antes se sinta abençoado pelo Grande Irmão, sem que antes aceite o duplipensar, é preciso morrer acreditando que 2+2=5. E, nas confissões, geralmente tem-se que admitir que traiu à população para servir a um ser que é desprezado por todos, Goldstein, o que, no paralelo, seria Lúcifer, Satanás.

Two Minutes Hate

Satanás, Traidor!

De certa forma, até podemos ver que Lúcifer seja o mensageiro da verdade, já que, no impressionante (que alguém acredite de forma literal) Gênesis, a árvore do fruto proibido é a Árvore da Ciência do Bem e do Mal. A cobra tentadora seria Goldstein, falando ao povo que tudo aquilo estava errada, que o Grande Irmão não existe. E Deus castiga quem procura conhecimento, de forma metafórica.

“9 – E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.
16 – E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente,
17 – mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Gênesis, 2 (9,16,17)

A este senhor deve ser direcionado todo desprezo, sendo, inclusive, criado um evento chamado “Dois Minutos de Ódio”, onde, todos os dias, os cidadãos devem extravasar  todo seu desprezo por Goldstein, o traidor, aquele que traz a discórdia, aquele que nos traz toda a desgraça.

Two Minutes Hate

Se você está infeliz, é dedo de Goldstein boicotando o partido. Se sua saúde não está boa, não é culpa do Grande Irmão, que lhe provém comida e saúde, mas de Goldstein. O clima do 2 minutos de ódio é muito bem descrito pelo livro, e pode ser visto, na adaptação para o cinema, a seguir:

Infelizmente, está sem legenda, mas a versão com legenda pode ser visto no seguinte link: http://www.youtube.com/watch?v=sO608z2O90w. Aqui, tem o filme completo, a cena dos dois minutos é logo a primeira, 5 minutinhos. Os dois minutos de ódio também possuem sua parte de aclamação ao Grande Irmão. Não é muito similar à oração? Por sinal, vejam esse convite da Igreja Universal do Reino de Deus:

Convite Igreja Universal do Reino de Deus

40 minutos é muito tempo, estou começando a preferir ficar no 1984

E, quem conhece, sabe que muitas dessas igrejas fazem mais um 40 minutos de ódio que de amor ao próximo, sendo QUEIMA JESUS um bordão famoso.


Vamos rir um pouquinho

Também podemos citar aqui as crianças. Não é muito ético expôr uma criança à uma crença e a um castigo impossível de ser evitado, mas vemos aí muitos “prodígios” já com certos preconceitos e lavagens cerebrais devido a religiões. A questão ética é importante, entretanto, quase nunca os próprios pais se importam muito com a coerência e buscam simplesmente uma alternativa para a morte e uma possibilidade de fuga da realidade.


Esta é uma criança seqüelada

No 1984, também existem crianças seqüeladas, dispostas a vigiar ainda mais que a Teletela. Seus pais, seus vizinhos, brincam de soldado, já estão com a cabeça voltada para a guerra e para a manipulação. Já possuem o meme do Duplipensar desde o berço, estão mais protegidas e prontas para expandir esse meme para onde for necessário.

A famosa história de George Orwell tem muito a ver com o comunismo, isso é óbvio. Mas, conforme vimos, a religião em si pode ser vista como um grande regime autoritário, onde o opressor deve ser visto como o salvador e você não pode derrubá-lo, simplesmente porque ele NÃO EXISTE. E, tal qual nas religiões, podemos notar certas proridades aos análogos membros do partido interno. O Clero desempenhou uma força importante em grande parte dos países por muitos anos. Atualmente, temos aí pastores com carrões e igrejas vistas como investimentos…

*ao som de The Outfield (For You), Megadeth (Th1rt3en) e Shaman (Ritual)

A única pergunta é… proteger o quê?

Muito se fala em fechar a vila em forma de condomínio, colocando um portão. Mas o que estamos protegendo? De que adianta se fechar dessa maneira se o barulho de motos e buzinas vai continuar nos acordando de madrugada? Este não é um problema lá de fora. De que adianta colocar um portão, se não vai ter um porteiro? Será que um portão ia nos facilitar ou piorar a vida? Você acha que caminhão de lixo e carro da Rio Luz vai entrar aqui com um portão? E, principalmente, em pouco tempo haverá só um portão sem cadeado, apenas para gastar nosso dinheiro com essa estupidez.

Para que se tenha um portão, é preciso que se contrate um porteiro. Não creio que os senhores moradores estejam muito dispostos a contratar um porteiro, seria um gasto a mais. Então, teríamos que ter um síndico, para administrar o dinheiro. E, para isso, teríamos eleições, o que nos tomaria tempo e acaba por formar brigas e discussões. Para termos um portão, precisamos de um sistema de porteiro eletrônico, ou você acha que uma visita tem que ficar na ponta da vila esperando – podendo correr os riscos do “mundo lá fora” – enquanto você vem até o portão. Não acha uma situação chata para nossas visitas?

Colocar um portão não vai nos elevar ao nível de Barra da Tijuca apenas por ter um portão. Não haverá vigia para controlar as pichações e possíveis pulos de muro. Não vamos ser ingênuos e ignorantes. Vamos ter que organizar nosso lixinho, que simplesmente deixamos na porta no dia certo. E nada disso, senhores, parece ser uma melhora. A música alta vai continuar. E a pergunta é: o que estamos protegendo e de quem? Será que não estamos tentando nos proteger de nós mesmos?