Chaos AD (Barra da Tijuca)

caos na linha amarela

Linha Amarela fechada no dia 21 de Junho de 2013

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Vitória?

guy-fawkes

 

E eis que o estopim que provocou as manifestações ao longo do Brasil teve resultado: houve redução das tarifas de ônibus. Mas, sabemos que não se trata dos 20 centavos, isso foi apenas a gota d’água necessária para que as pessoas que se indignam com as piadas do país se unissem, através das redes sociais (ou seja, Facebook e Twitter) para reclamar de forma bem visível. A questão é se, com a diminuição das tarifas, os ânimos vão se acalmar, porque, claramente, a redução das tarifas tem duas faces.

A primeira face é de que vale a pena protestar. Mesmo que seja por um motivo banal (os 20 centavos, se analisarmos a priori), se houver gente suficiente pra pentelhar, mudanças ocorrerão. Então, é de se esperar que, daqui pra frente, a população se empolgue mais na hora de pedir mudanças.

A outra face é o objetivo de enfraquecer o movimento em prol de um “bem” maior (no ponto de vista dos políticos), porque, se tocarem na ferida mais ao fundo, muita coisa ruim deve sair. Então, é melhor “dar o que eles pedem” para acabar com o tumulto e, ao mesmo tempo, com a possibilidade de que coisas maiores sejam pedidas. Claro que há, pelo menos da minha parte, a expectativa do tiro sair pela culatra mais tarde e o governo nos sacanear de alguma forma mais discreta. Já foi dito, tanto pelo prefeito do Rio como pelo de Sampa, que gastos deverão ser cortados em outras áreas e eu aposto em auxílio social, uma forma muquirana de deixar o povo contra o movimento. Por outro lado, não creio que o governo se arrisque a esse ponto, seria um blefe e tanto tentar fazer uma chantagem desse tipo. “Ou a passagem ou o bolsa família”. Até porque, já vimos a merda que dá quando se mexe em auxílio social.

E o ocultamento de tarifas através de impostos nos alimentos e em outras coisas essenciais torna uma resposta popular mais difícil. É complicado protestar contra uma sutileza dessas, não é um gasto direto que você vê todo dia como um aumento na passagem. Até por esse argumento, sou contra o Passe Livre em si, que seria a abolição do pagamento da passagem, que seria totalmente subsidiado. Se você não percebe onde está sendo roubado, você não reclama, é o causo do corno manso. E somos cornos mansos na saúde e educação. Os serviços são “gratuitos”, o que leva a um conformismo com a má qualidade do serviço. Se você paga por um hospital e ele não é decente, é natural que se faça um escândalo. É mais comum procurar ajuda jurídica e tentar sujar o nome de uma empresa que não te satisfaz no particular. Já no público, tudo é “de graça”, então, ninguém reclama. Exceto se não tiver merenda na escola.

Ocultar o aumento de ônibus nas tarifas é uma boa saída para nos roubar com um pouco mais de cara de pau. Já é feito isso no Bilhete Único, no fim das contas pagamos as duas passagens e, às vezes , me questiono se devo ou não usar o BU desnecessariamente: já que estou pagando nas entrelinhas, então vou gastar o máximo que puder, dando algum “prejuizo” no governo; por outro lado, estou dando dinheiro pras empresas que, independente do 2,75 ou 0 no desconto do BU, vão ganhar o seu no final do mês (apesar de eu não saber exatamente como é a recompensação). Mas, se vai ter que cortar de outras áreas importantes, por que não cortar do salário com assessores e dos próprios parlamentares?  É bem obvio que o gasto com esse pessoal é muito mais alto que o necessário e eles vêm dizer que é preciso cortar do que é nosso? Para garantir o deles, é claro. Acho que o próximo movimento deveria ser pela redução do salário dos parlamentares. Inclusive, vi algumas postagens do facebook apontando as 5 causas que vão além dos 20 centavos, vou postar aqui as minhas.

Congresso Nacional Brasilia

 

Isso só pra começo de conversa além de que, de certa maneira, 2 contém 5. Mas também precisamos ter garantidas a autonomia do judiciário em relação ao legislativo (não à PEC 37), garantia do direito de expressão, diminuição da corrupção policial (maiores salários e melhor treinamento).

Racionamento, Favela e Bolsonaro

Vou fazer aqui meu “giro” de coisas que ouvi hoje e que me deixaram indignado (compensando, portanto, a falta de giro na quinta pelo motivo de esquecimento de comprar o jornal).

Logo de manhã, descobri que mudanças na conta de luz estavam por vir. Agora de noite, descobri que se trata de um acréscimo no valor da conta por uma certa fração de energia gasta nos meses em que as hidroelétricas estiverem com menor vazão. Não é nada além de uma aplicação da Lei da Oferta e da Procura, da Economia, onde a demanda (consumo) é diminuída artificialmente se os preços aumentarem (acréscimo na conta), já que a oferta (energia nas hidroelétricas) será menor . Mas, por trás disso, acredito que sejam os mesmos problemas que nos trouxeram o racionamento, mas com uma solução diferente (e mais sutil, conseqüentemente, menos alarmista e mais bem aceita pelo povão): falta de um plano energético, falta de investimento em novas matrizes e a arte de levar tudo nas coxas. E aí está, apesar da diminuição (a sua conta diminuiu? a minha não…) na conta de luz, imposta pela presidente, o racionamento vai se revelando.

Ainda na vibe do racionamento, a reportagem do Jornal Nacional cometeu um erro de física básica, mostrando a unidade de Killowatt-hora como sendo kW/h.

killowats por hora

A segunda notícia diz respeito a um motorista que entrou “acidentalmente” na favela Vila do João e acabou baleado (e provavelmente, morrerá). As notícias chovem com opiniões contrárias à hipocrisia de que não devemos suspeitar do morador de favela, que o “morro” e o “asfalto” devem conviver, sem preconceitos. O que se fala é justamente o contrário, que “as ruas devem ser bem sinalizadas (até aí concordo) para evitar que pessoas se percam e acabem parando em lugares perigosos”. Então, o certo seria uma placa como a de baixo?

vila_do_joao_prerigo

Não acho que o cidadão tenha se perdido, a Vila do João é um lugar para se fazer retorno para a Avenida Brasil sem ter que pegar muito chão, considerando a situação que foi descrita: ele estava em direção ao Aeroporto, mas quis voltar para o sentido Barra, é bem plausível que tivesse entrado na favela apenas para pegar a Avenida Brasil e voltar. Então quer dizer que devemos desconfiar de bandidos ao pegar vias públicas? No horário de rush, muitos carros passam pela favela vizinha, a Maré e nunca vi nada suspeito. Segundo o Rodrigo Pimentel, comentarista de tiroteio da Globo, o morador do local já sabe o que fazer quando entra na favela: desligar o farol e abaixar os vidros. Não creio que o traficante vá ficar tomando conta de todo carro que entra, se ainda fosse um beco, mas era a via principal da favela…

Por fim, deixo a imagem para reflexão. bolsonaro

A notícia pode ser vista aqui, aqui e aqui. Algumas dúvidas: não é proibido comprar fogos de artifício? Ele não deveria estar em Brasília? Já não está na hora desse rapaz ir para uma casa de repouso descansar um pouco e receber remedinhos?